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Fundação António Quadros
Cronologia biobibliográfica Imprimir e-mail

 


AUGUSTO CUNHA

Cronologia Biobibliográfica, por Mafalda Ferro (trabalho em curso)

 

1894

Augusto Henrique Roberto da Cunha (1894-1947), conhecido familiar e literariamente por Augusto Cunha, nasceu em Lisboa na freguesia dos Anjos no dia 10 de Abril de 1894, filho de Henrique Roberto da Cunha e de Carolina Teresa Galvão da Cunha.

 

1898

No dia 11 de Julho, Henrique Roberto da Cunha, pai de Augusto foi nomeado escrivão do Tribunal da Relação de Lisboa, em substituição de Filipe Carlos da Silveira.

 

1909

Iniciou o seu percurso jornalístico publicando em «Crítica Escolar».

Estudou no Liceu Camões [sem datas].

 

1910

Participou (como actor) com António Ferro (como autor e actor) num sarau do Colégio Francês.

 

1912

Publicou «Missal de Trovas. Quadras dos 17 e 18 anos» com António Ferro. A obra, constituída por cerca de 100 quadras populares em que as das páginas pares eram de Ferro e as das ímpares eram de Cunha. A capa é de Rodriguez Castañé e as notas introdutórias, à laia de prefácios, de João de Barros, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Afonso Lopes Vieira, João Lúcio, Júlio Dantas, Alberto Osório de Castro e Augusto Gil. na sua nota, Pessoa escreve que “Quem faz quadras populares comunga a alma do Povo, humildemente de nós todos e portanto, dentro de si própria”.

Nesse ano (1912) colaborou no jornal académico bimensal «Alma Nova», propriedade e edição de António Ferro, dirigido por Jaime Ribeiro Leal.

No dia 19 de Setembro, escreveu um texto humorístico, simulação de um julgamento que absolve por unanimidade o réu António Ferro e reverte a situação transformando em réu o júri que proferiu a sentença, assinado por António Ferro, Umbelina Ferro, Felícia Ferro e outros.

 

1913

Ingressou no primeiro Curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

A sua peça "Paixão" foi representada em Faro, Portimão e Olhão pelos seus colegas de Direito entre os quais António Ferro e Azeredo Perdigão.

Colaborou em periódicos como «Despertar»; «Vanguarda»; «Hespanha e Portugal»; Revista «A Manhã» (longa duração); e «O Povo».

Frequentava as tertúlias das duas Brasileiras (do Chiado e do Rossio), do Martinho e do restaurante "Irmãos Unidos" propriedade da família de Alfredo Guisado (Pedro Menezes).

 

1914

Com Alfredo Guisado, assinou o texto “O Elogio Fúnebre da Revista Fulmen á la Broche” ao qual foi acrescentada uma nota manuscrita: “Lida no dia 13 de Janeiro de 1914 no Restaurante dos irmãos Unidos, …uma ceia de rapazes”.

 

Depois de Fernando Pessoa escrever o poema "Os Paúis, nasceu um movimento a que o grupo de jovens amigos chama "O Paúlismo". Nesse contexto, Augusto escreveu «No Tempo do Paúlismo e do “Orfeu”. Odisseia de um artigo. Página de Memórias» ao qual acrescentou no fim do texto: “No Ano do Orfeu, Um Serão Paúlista”[1]. A crónica, lida e relida primeiro a António Ferro em sua casa, depois no Martinho a Fernando Pessoa e a Mário de Sá-Carneiro que a escutaram repetidamente e, depois, aos habituais frequentadores do "Martinho", viria a ser publicada n'«A Capital - Diário Republicano da Noite», n.º 263, ano IV, no dia 17 de Abril de 1915.

 

1915/1919

Iniciou funções públicas no Ministério da Justiça, trabalho que conservaria até terminar o Curso de Direito.

 

1915

Amigo de António Ferro e de Mário de Sá-Carneiro desde o tempo do Liceu Camões, recebeu do autor um exemplar d'«A Confissão de Lúcio» com a dedicatória manuscrita Ao seu presado amigo Augusto Cunha – ao fino espírito de humorista e de poeta. Simpaticamente Mário de Sá-Carneiro,1913.

Integrava aquela que ficou conhecida como a geração d'Orpheu e a que também pertenceram Fernando Pessoa, Almada-Negreiros, Cortes Rodrigues, Montalvor, Alfredo Guisado (que lhe escreve amiúde: Dá saudades ao Ferro, Ponce [de Leão], Simões, Sá-Carneiro e Pessoa;), entre tantos outros.

 

Ao longo dos anos, foi retratado e caricaturado por muitos dos artistas modernistas seus contemporâneos como Eduardo Malta, Teixeira Cabral, Francisco Valença, Norton e, fotografado por San Payo, Achiles e Salazar Diniz.

 

No dia 17 de Abril, publicou no n.º 263 d'«O Povo – Diário Republicano da Noite» o artigo «A Humanidade avança…mais 200 anos e o mundo será um grande manicómio… No ano de Orfeu um serão paúlista».

 

1916

Em Setembro, escrevendo a Alfredo Guisado:

Quanto ao poeta das praias de Mistério, soube apenas que havia estado uma noite nas praias de Algés, deitado sobre a areia com o Dr. R. Pereira ao lado e encostando a sua poética cabeça, de cuja boca saíam madrigalescas e ternas frases, a uma muitíssimo semi-virgem, que tu conheces e eu muito melhor e que nós encontramos uma noite falando com o Raul Feio. Nesse dia não tinha modos de Rufina tê-los-ia quando muito de Rúfia.

Não tomou banho, mas creio que esteve prestes a ir ao fundo a sua castidade.

E agora creio que se conserva lá para as misteriosas praias que vão do Cai Água aos Estoris. É tudo quanto sei.

Quanto ao R. Pereira, só agora partiu para a sua terra natal; já era tarde de mais e então partiu.

E tu quando voltas? Divertes-te? Por aí há de tudo ou também falta alguma coisa?

Por aí falta o açúcar? É capaz de faltar o sal? Não é muito possível porque sobra o das naturais.

O Almada Negreiros continua rapado, parece uma escova com pernas.

Lembrei-me de fazer um manifesto anti-Almada […]. Quando voltares falamos d´isso[2].

 

1918

Escreveu "Direito por Linhas Tortas", espectáculo de revista organizado pelos quintanistas do curso de Direito de 1913/1918, que viria a ser representado no Teatro S. Carlos em Lisboa, Outubro de 1918.

 

1919

Depois de terminar o Curso de Direito, com cerca de quatro dezenas de amigos como Barbosa Viana, Alice Dantas[3], Bustorff Silva, Vaz Pereira[4], foi admitido no Ministério das Colónias.

 

A 15 de Agosto, sob a direcção de Jorge Barradas e Henrique Roldão, foi fundado um jornal humorístico quinzenal intitulado «O Riso da Vitória» no qual colaborou assiduamente (longa duração).

 

No dia 28 de Agosto, depois do registo civil em casa dos pais da noiva, casou na Igreja Paroquial dos Anjos, em Lisboa, com Umbelina Raquel Tavares Ferro, irmã de António Ferro, facto que viria a contribuir para fortalecer ainda mais a amizade que já os unia.

Foram padrinhos no registo por parte da noiva, os seus irmãos António e Pedro Ferro e, por parte do noivo, os seus pais. Na cerimónia religiosa, os padrinhos foram os pais de ambos.

Na lista dos convidados presentes, além da família, consta Filomeno da Câmara e família, Alfredo Guisado, Azeredo Perdigão, Raul Feio, Maria Amália Noronha Cabral da Câmara, Palmira Valente de Carvalho, Inocência de Abreu, Natália de Carvalho Ferro, e muitos outros[5]. Vive desde então em casa dos sogros na Rua dos Anjos (Rua do Registo Civil) n.º 26 em Lisboa com a mulher e, posteriormente, também, com os dois filhos, Maria Helena e Pedro Henrique.

 

Continuou a colaborar em periódicos como «A Manhã» e «O Jornal» (longa duração), entre outros.

 

1920

Abriu o seu primeiro escritório de advogado, profissão que viria a exercer mais assiduamente até 1935, na Rua Nova do Almada, 81, 1.º D em Lisboa. Mais tarde, transferiu o escritório para a Rua de S. Nicolau 23, 2.º, também em Lisboa.

 

No dia 10 de Maio de 1920, nasceu na freguesia de Nossa Senhora dos Anjos a sua filha Maria Helena Tavares Ferro da Cunha que viria a licenciar-se em Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências de Lisboa e a leccionar as disciplinas de matemática, desenho e trabalhos manuais no Ensino Secundário.

Para padrinhos da filha, baptizada na Igreja dos Anjos, convidou o sogro António Joaquim Ferro e a sua mãe Carolina Teresa Galvão da Cunha.

 

1921

No dia 9 de Dezembro de 1921, nasceu na freguesia de Nossa Senhora dos Anjos o seu filho Pedro Henrique Tavares Ferro da Cunha que viria a licenciar-se em História e Filosofia e a dirigir o Serviço Internacional da Fundação Calouste Gulbenkian.

Sabe-se, sem outras referências, que teve um terceiro filho que não sobreviveu.

 

Nesse ano, continuando o seu percurso de cronista e humorista, publicou artigos e crónicas em periódicos como, por exemplo, a revista «ABC a rir».

 

1922

Fruto de uma empenhada especialização, foi-lhe atribuído o título de notário.

 

No dia 11 de Agosto, véspera de representar António Ferro, então no Brasil, no seu casamento por procuração com Fernanda de Castro, escreveu à noiva (excerto):

 

Na minha qualidade de noivo interino de procurador do noivo, não posso deixar de a cumprimentar Maria Fernanda e de lhe desejar todas as venturas que o meu representado neste momento lhe desejaria.

Não podia dar por terminado o meu mandato sem o fazer.

E se o faço por este meio é para que o António veja que cumpri completamente a missão que a sua muita amizade delegou em mim.

Na verdade estas palavras queria dize-las aos dois. Por isso as escrevi; porque podendo agora apenas dizê-las à Maria Fernanda, lhe peço ao mesmo tempo que seja delas, portadora, para que cheguem, ainda que um pouco tarde, até junto de seu marido.

Assim, abandonando o papel de noivo – por assim dizer, miliciano – que desempenhei o melhor que me foi possível, resta-me o de cunhado dentro do qual me cumpre desejar ao casal – por todos os títulos digno da minha amizade e admiração, ao casal por enquanto e infelizmente separado pelo Atlântico, desejar enfim à noiva presente e ao noivo distante, (mas ao noivo autêntico, ao verdadeiro, ao inconfundível) todas as prosperidades e triunfos, numa palavra, a completa felicidade d´ambos.

Ao noivo, liga-me a amizade velha da constante camaradagem, do quotidiano convívio, da primeira estreia literária, da colaboração dos primeiros versos.

E parece-me, que todos estes laços que nos prendem são o melhor penhor da sinceridade simples das minhas palavras.

Pela noiva, nutro toda a admiração, estima e o muito respeito que d´um breve convívio, todos que com ela privam, ficam a ter.[6]

 

1925

Em Agosto, passou uns dias de férias no Palace Hotel da Curia.

Colaborou na «Revista de Teatro».

 

1926

Deu início e dirigiu com Tavares Alves a Sociedade Forense Portuguesa.

 

Em Maio, integrou com Leitão de Barros, a Comissão de Festas de Lisboa.

 

Publicou n'«O Domingo Ilustrado», artigos humorísticos como:

 

A febre do negócio;

A guerra ao pelo;

A perdição de Inocêncio;

a reprise dos sinaleiros;

Amor impossível ou gargarejo fatal;

Antes e depois;

Boato alarmante; Sorte grande… por pouca sorte;

Carta muitíssimo aberta;

Charlestonomania;

Crónica alegre;

Em casa de ferreiro…;

Encomenda de 'Comendas';

Estoirismo (de estoiros);

Idiota por dieta. Um caso de drogo-mania; Os dramas do cinema;

O grande estadista;

O orfeão de S. Bento;

O reinado dos fígaros I Do depilamento masculino;

Ontem, hoje e amanhã, se Deus quiser;

Os mártires do turismo;

Othelo… para pernoitar;

Teatro novo ou 'A voz do passado' de há oito dias… O "Abarrotary Club";

Um janota em calças pardas ou os mártires da moda;

Uma curiosa cura na Cúria;

Uma grande invenção.

 

Com Xisto Júnior, substituiu André Brun nas “Crónicas Alegres”, rúbrica do «Domingo ilustrado».

 

1927

Semanalmente, continuou a publicar artigos humorísticos n'«O Domingo Ilustrado», n'«A Semana Ilustrada» e, também, no «Jornal da Europa».

 

1928

Mantendo as colaborações anteriores, passou a publicar também no «Sempre Fixe» e na revista «O Casino».

Integrou com António Ferro, Fernanda de Castro, Leitão de Barros, Martins Barata, Luzia, Teresa Leitão de Barros, entre outros, o primeiro número d'«O Notícias Ilustrado».

 

Enquanto juiz do Tribunal de Árbitros Avindores, foi nomeado presidente do referido Tribunal[7].

 

1929

Manteve as colaborações em periódicos iniciadas nos anos anteriores.

 

1930

Às colaborações anteriores, acrescentou publicações em revistas como «ALeitura»; e «O Girassol».

 

Publicou "Quasi de Graça", com capa de Jorge Barradas, que inicia com "Uma carta para António Ferro" e "A resposta" a Augusto Cunha.

 

A pedido de Fernanda de Castro, escreveu "O exame do meu menino. Teatro de trazer por casa (Entreacto)", peça destinada a ser representada numa récita a favor dos seus Parques Infantis; a peça foi levada à cena no dia 23 de Novembro numa matinée infantil do Teatro da Trindade, sob a direcção técnica de Fernanda de Castro sendo "o meu menino" interpretado por Vasco Santana que passou a incluí-la nas suas tournées pelo Ultramar e pelo Brasil; e foi, posteriormente, representada em teatros e em escolas públicas e privadas.

A publicação de "O exame do Meu Menino", numa edição em miniatura, com capa de Maria Adelaide Lima Cruz, viria a ser reeditada, dando origem às famosas "Lições do Menino Tonecas".

 

Foi criada a Associação dos Humoristas, segundo ideia de Augusto Cunha perfilhada pelo «Sempre Fixe».

 

1931

A sua comédia "Sempre Noivos" foi levada à cena no Teatro do Ginásio[8].

A sua peça "Xa bi tudo", escrita com a colaboração de Alfredo França, foi representada pela Companhia Lucília Simões-Erico Braga no Teatro da Trindade e protagonizada por Chaby Pinheiro.

 

Escreveu a peça "Os Meninos d'oiro. Vaudeville" que começou a ser ensaiada por Lucília Simões, Brunilde Júdice, Irene Isidro, Teresa Gomes, Erico Braga, Samwell Diniz e José Gamboa mas, por razões desconhecidas, a peça não subiu à cena nem foi publicada em vida do seu autor.

 

Publicou "Mais um", com capa de Cottinelli Telmo em duas versões da mesma edição, uma com capa em tons de azul e, outra, em tons de verde.

 

1932/1934

Passou a ocupar o cargo de Secretário de Armindo Monteiro, Ministro das Colónias.

 

1932

A pedido expresso de Lucília Simões, escreveu "O processo de Mário Dâmaso (1 acto de comédia)" que publica com desenho de capa por Bernardo Marques. A capa final patenteia uma caricatura do autor por Teixeira Cabral. A peça é representada pela Companhia Lucília Simões-Erico Braga no Teatro da Trindade, protagonizada por Palmira Bastos, Amélia Rey Colaço, Ester Leão, Nascimento Fernandes, Alves da Cunha e outros.

 

No mesmo ano, publicou "Mais outro", com capa de Bernardo Marques.

 

Continuou a publicar regularmente nos periódicos do costume e, esporadicamente, no «Diário de Notícias», no «Diário de Lisboa», no «Portugal Colonial».

 

1933

Passou a colaborar também n'«O Domingo».

Publicou n'«O Notícias Ilustrado»" as suas entrevistas a figuras de teatro como Lucília Simões, Irene Isidro, Luísa Satanela, Ausenda de Oliveira, Georgina Cordeiro, Maria Helena, Adelina Abranches, Ilda Stichini que descreve alguns casos espirituosos da sua carreira, Ester Leão que recorda alguns curiosos episódios teatrais, Palmira Bastos que recorda algumas cenas alegres da sua vida no teatro, Maria Sampaio que contou alguns episódios engraçados dentro e fora de cena, Virgínia Soler que conta alguns intermédios cómicos do início da sua carreira teatral, Fernanda de Sousa que recorda dois episódios…ultramarinos a que assistiu na sua carreira teatral, Maria Alvarez que refere o caso que mais a divertiu e que mais a embaraçou na sua carreira teatral e Maria Matos que recorda as primeiras lágrimas que o teatro lhe provocou. Estas entrevistas foram ilustradas com reproduções fotográficas de Silva Nogueira ou Salazar Diniz.

 

1934/1947

Fundou e dirigiu até 1947, ano da sua morte, a revista «O Mundo Português – revista oficial de Arte, Literatura e Propaganda Colonial», edição de Agência Geral das Colónias e do SPN/SNI. Todos os números são ricamente ilustrados com reproduções fotográficas e de arte, de grande qualidade.

 

Começada a publicar em 1934, a revista O Mundo Português prolongou a sua actividade editorial até 1947. As muitas centenas de páginas vindas a lume durante esse lapso de tempo ilustram a “mística imperial”, um dos pontos cardeais do regime de Salazar no decorrer dos anos 30 e 40. Configuram, além do mais, a demonstração plena da “política do espírito” encetada pelo recém-criado Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), outro esteio do Estado Novo. […] Os cruzeiros de férias às colónias contaram-se entre as primeiras grandes acções lançadas pela revista. A finalidade passava por levar a “mocidade portuguesa” a conhecer e “apreciar devidamente Portugal em todos os seus recantos mais distantes”. Era nos seguintes termos que Augusto Cunha, director da revista, falava na necessidade de uma iniciativa deste género: "Mas não basta descrever Portugal aos portugueses, recordar a sua história, dizer a sua extensão, afirmar as suas possibilidades e o seu valor; é preciso mostrar a todos […]. É preciso que a mocidade fique conhecendo palmo a palmo, em todos os seus aspectos, em todos os seus valores, em todos os seus mais diversos e maravilhosos efeitos cenográficos, de grandiosidade e beleza, que o tornarão mais querido e mais amado e portanto melhor defendido como bem precioso que se não deve perder."[9]

 

1934

Em Janeiro, no primeiro número da revista "O Mundo Português", além de uma introdução sobre a revista, por Armindo Monteiro, Ministro das Colónias, Augusto Cunha publicou colaborações de Gago Coutinho, Alberto Osório de Castro, João de Azevedo Coutinho, Camilo Pessanha, Teófilo Duarte, José Ferreira Martins e Diogo de Macedo.

 

Publicou "PBX: diálogos ao telefone", com capa de Francisco Valença e uma caricatura sua, por Eduardo Malta.

 

Continuou a publicar n'«O Notícias Ilustrado»" entrevistas a figuras de teatro como Aura Abranches que recorda a sua primeira audácia teatral e Adelina Campos que recorda algumas curiosas cenas da sua carreira teatral.

 

1935/1940

Durante cerca de 5 anos, exerceu a função de Secretário do Conselho Superior da Disciplina das Colónias.

 

1935

Organizou, realizou e dirigiu o I Cruzeiro de Férias às Colónias de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe e Angola no qual a sua mulher e a filha participaram.

Neste e em outros cruzeiros por si organizados, elaborou um programa intensivo de festas, recepções e visitas por todo o país, que preenchia 30 dias consecutivos.

 

Realizou, posteriormente uma conferência sobre "os fins educativos do Cruzeiro de Férias às Colónias".

 

António Ferro fundou o periódico «Bandarra - Semanário da Vida Portuguesa» e Cunha publicou artigos de sua autoria em grande parte dos seus 43 números.

 

1936

Foi nomeado Chefe de Secção da Direcção-geral de Administração Política e Civil do Ministério das Colónias.

 

No dia 10 de Fevereiro, recebeu a proposta de Eduardo Neves, Luís Pastor de Macedo e Leitão de Barros, para se associar aos "Amigos de Lisboa".

 

No dia 11 de Setembro, depois da morte de Federico Garcia Lorca, uma das primeiras vítimas da guerra civil espanhola, Augusto Cunha assinou, com grande parte dos artistas e intelectuais portugueses, o Protesto publicado no «Diário da Manhã» por António Ferro, então presidente do Sindicato Nacional dos Jornalista, organismo do qual Cunha também era associado.

 

1937

Organizou, realizou e dirigiu o Cruzeiro dos Estudantes Coloniais à Metrópole.

 

Dirigiu a organização das publicações da Secção Portuguesa da Exposição de Paris e integrou o grupo de colaboradores intelectuais dos pavilhões portugueses das exposições de Paris, Nova Iorque (1939) e Mundo Português (1940)[10].

 

Em Setembro, a sua filha Maria Helena Tavares Ferro da Cunha ingressou na Universidade de Lisboa.

 

1938

Em Outubro, mudou-se da casa dos sogros na rua dos Anjos onde vivia desde o seu casamento e instalou-se com a família na Avenida da Republica 91, 3.º, Lisboa[11].

 

[1939]

Organizou, realizou e dirigiu parte do programa do I Cruzeiro Oficial dos Velhos Colonos.

 

1939

Colaborou na participação portuguesa na Exposição de Nova Iorque e na secção de Propaganda e Recepção dos Centenários.

 

Publicou "Contos sem cotação", com capa de Stuart de Carvalhais, ilustrações de Abel Manta, Bernardo Marques, Carlos Botelho, Castanhé, Eduardo Malta, Estrela Faria, Francisco Valença, Jorge Barradas, Lino António, Manoel Lima, Martins Barata, Mesquita, Paulo Roberto Araújo, Sarah Afonso e Stuart, como gesto de amizade destes artistas modernistas.

 

Enquanto director d'«O Mundo Português», visitou Inglaterra a convite do British Council.

Participou activamente na estruturação do "Círculo Eça de Queiroz", projecto liderado por António Ferro.

 

1940

Foi fundado o Círculo Eça de Queiroz do qual foi o Sócio Fundador n.º 6.

No dia 20 de Abril, compareceu ao banquete inaugural do Círculo Eça de Queiroz, realizado no Aviz Hotel, em Lisboa.

 

A 30 de Janeiro, foi eleito Secretário Adjunto Substituto da Junta Directiva dos "Amigos de Lisboa".

 

1942

Foi nomeado Delegado da Agência Geral das Colónias junto do S.P.N.[12] e director administrativo da Revista «Panorama»[13].

 

Estreou-se como um dos colaboradores literários da revista «Panorama» com artigos de divulgação turística como "Os grandes valores turísticos nacionais" (n.º 8); "Pousada de Santa Luzia, Elvas (n.º 9); Valores Turísticos: Madeira e Açores" (n.º 10). " Valores Turísticos: A Pousada de São Gonçalo no Marão" (n.º 11); Campanha do Bom Gosto: Pousada do Serém" (n.º 12); e muitos outros.

No dia 25 de Março, compareceu com a mulher, Umbelina Ferro da Cunha, à recepção a Ortega e Gasset - Pedro Tabon, organizada por António Ferro e Fernanda de Castro em sua casa.

 

1943

Colaborou em «Acção - Semanário da Vida Portuguesa» com artigos como «Conversas loucas».

 

No dia 26 de Janeiro, foi reeleito Secretário Adjunto Substituto da Junta Directiva dos "Amigos de Lisboa".

 

Integrou com João Coelho Teixeira, Raúl Bessone d'Abreu e Álvaro dos Santos Nogueira a comissão das celebrações dos 30 anos da Faculdade de Direito iniciada com o curso 1913/1918.

 

1944

No dia 2 de Fevereiro, foi eleito presidente da Assembleia Geral da Lutuosa do Ministério das Colónias.

 

No dia 2 de Novembro, foi eleito Sócio Efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa.

 

Colaborou em «Acção» com artigos como «Os prejuízos da fecundidade».

 

Publicou a 3.ª edição revista e aumentada de "O exame do meu menino. Teatro de trazer por casa (Entreacto)", com capa de Amarelhe.

 

1945

Publicou n'«O Comércio do Porto» "O humorismo na obra de Eça de Queiroz".

 

No dia 17 de Maio, iniciou funções como director do Jornal Radiofónico do Império e Emissora Nacional.[14]

No dia 31 de Dezembro, compareceu com a mulher à ceia familiar de fim de ano em casa de António Ferro e Fernanda de Castro.

 

1946

No dia de Reis, dia 6 de Janeiro, compareceu com a mulher e os filhos ao jantar de família organizado por António Ferro e Fernanda de Castro, em sua casa.

 

No dia 26 de Janeiro, foi reeleito Secretário Adjunto Substituto da Junta Directiva dos "Amigos de Lisboa".

 

Publicou no «Diário Popular» "De bom humor: Sucursal do Inferno ou dão-se alvíssaras a quem encontrar uma comissão contra ruídos"; e na «Vitória» "Aqui para nós… Bisbilhotice incurável".

 

No exemplar da sua obra "O Homem que salvou o mundo", com capa de Cottinelli Telmo, preservada na Biblioteca da Fundação António Quadros, pode ler-se Aos ilustres escritores, críticos literários e inspirados poetas, meus muito queridos cunhados e sobrinhos, Fernanda de Castro, António Ferro, António Quadros e Fernando Ferro - família que é uma grande página de literatura, oferece o Augusto Cunha 24/5/946.

 

1947

No dia 18 de Abril, mês que também o viu nascer, Augusto Cunha morreu, vítima de doença dolorosa e prolongada, deixando inconsoláveis, mulher e dois filhos, António Ferro e Fernanda de Castro, restante família e muitos amigos.

 

No n.º 8 da revista "Mundo Português", um dos dois únicos números publicados depois da morte do seu director, o seu grande amigo Raul Feio registou "Morreu Augusto Cunha":

 

[…] Não pensei sequer que tinha morrido um artista, que tinha desaparecido um homem bom, profundamente bom, um homem como poucos! […] e, mais adiante, Estive depois sozinho no seu escritório, sentado na sua cadeira, diante daquela grande secretária. […] Os livros e as caricaturas, a caneta, os jornais, os papéis em desordem, viviam como eu exactamente o espanto daquele momento. […] Nunca mais ouviria o meu velho amigo ler-me o rascunho duma crónica, expor-me a ideia do novo livro e interessar-se como só ele sabia, interessar-se de alma e coração pelas minhas pequenas tragédias.

[…] O meu velho amigo morreu! Morreu como deve morrer um homem farto de fazer o bem, farto de trabalhar e até, talvez, farto também de desculpar o mal que lhe fizeram, Dizem que a sua obra ficou, que o seu espírito continua e que só o seu corpo morreu. Será assim realmente. Mas o certo é que o nosso Velho Amigo desapareceu e que nós temos saudades.

 

1957

Dez anos depois da sua morte, a Livraria Bertrand editou postumamente, para uma projectada Antologia dos Humoristas Portugueses, a sua obra "Contos Escolhidos" com prefácio de António Ferro e capa de Bernardo Marques.

A publicação, fruto da iniciativa da família em especial do cunhado António Ferro e do filho Pedro Ferro da Cunha, teve a colaboração do seu grande amigo, o escritor António Folgado da Silveira. Depois do prefácio, pode ler-se "Uma carta para António Ferro" pedindo um prefácio para o seu livro "Quasi de Graça" (1930) e, também, a resposta do cunhado publicada na referida obra, datada de Maio de 1930.

 

Sobre Cunha, nessa obra, no prefácio, António Ferro registou um verdadeiro testemunho de amizade, admiração e muita saudade, que, sem o saber, não chegará a ver publicado[15]:

 

[…] um humorista cujo ser interior, profundamente triste, precisa de ser equilibrado constantemente pelo seu ser intelectual, voluntário, que parece, ou é, alegre, fácil, comunicativo. Augusto Cunha, desta forma, antes de fazer rir os outros, sentia, primeiro, a necessidade orgânica, instintiva, de se fazer rir a si próprio, de se defender da sua tristeza congénita. Uma amizade profunda nos ligou, mas não é ela, por si própria, que me leva a afirmar que Augusto Cunha foi um dos grandes humoristas portugueses dos últimos cinquenta anos, se bem que o seu humorismo, na verdade, tivesse sido um dos elementos criadores dessa amizade.

 

1988

A sua obra "Os Meninos d'oiro. Vaudeville", terminada em 1931, é enfim publicada. Com capa de Paulo Ferreira, integra uma caricatura do autor por Francisco Valença e prefácio de António Quadros que se lhe refere como uma das personalidades mais singulares do grupo modernista que abalou o ambiente cultural de Lisboa e do país […]. E, adiante, Complexa, mas rara personalidade, a de Augusto Cunha, homem consciencioso, meticuloso, sério, com um semblante muitas vezes melancólico, por um lado; mas havia também nele um outro eu que observava o mundo com um olhar malicioso e que se ria à socapa não só dos podres ou das futilidades da vida social do seu tempo, mas até de si próprio, expressando-o por uma ironia que nunca chegava à dureza do sarcasmo, pois era essencialmente um homem bom, sem sombra de azedume ou de despeito. 

 


[1] A verdade é que ele quis lançar uma escola literária, com o Mário de Sá-Carneiro, que baptizaram de Sensacionismo. Tinha três dimensões, assim por eles chamadas: O Paúlismo foi a primeira, a partir do título Paúis, um poema de Pessoa publicado em 1914 na revista Renascença. Quando o Sá-Carneiro passou uns dias em Barcelona, a fugir das bombas que os alemães já lançavam sobre Paris, escreveu ao amigo a dizer que tinha descoberto uma catedral paúlica, a da Sagrada Família - criação do Gaudi.

Depois inventaram o Interseccionismo. Pessoa tinha declarado que todo o estado de alma é uma paisagem, pensando provavelmente no seu poema Paúis. Complicaram a coisa imaginando a intersecção de duas paisagens, a exterior e a interior: foi o que Pessoa tentou na série Chuva Oblíqua. Era assim uma espécie de duas fotografias sobrepostas, como dantes acontecia com as antigas máquinas, por descuido […], Teresa Rita Lopes, em Mesa Redonda organizada pela Fundação António Quadros, 2015, 120 anos depois do nascimento de António Ferro, publicado no mesmo ano nas Actas pela Fundação António Quadros.

[2] Em Carta de Augusto Cunha para "Amigo, meu e da distância" [Alfredo Guisado], a 6 de Setembro de 1916. Arquivo Histórico da Fundação António Quadros: PT/FAQ/AFC/01/001/0561/00007.

[3] Alice Dantas viria a casar com Azeredo Perdigão de quem teve dois filhos.

[4] António Ferro havia desistido do curso em 1918, já no 5.º ano, para se dedicar ao jornalismo e Azeredo Perdigão havia sido expulso da Universidade por acorrer em defesa do seu amigo Augusto Cunha, num assunto relacionado com notas. Azeredo terminaria o curso no mesmo ano mas, na Universidade de Coimbra.

[5] Arquivo Histórico da Fundação António Quadros: Recorte de Imprensa «Século da Noite», 28-08-1919, PT-FAQ-AFC-02-00458.

[6] Carta de Augusto Cunha a Fernanda de Castro na véspera do seu casamento, 11 de Agosto de 1922. Arquivo Histórico da Fundação António Quadros, PT/FAQ/AFC/01/001/0561/00001.

[7] Tribunal que julga questões entre patrões e assalariados.

[8] O Theatro do Gymnasio era um espaço marcante na história do teatro português, tendo acolhido durante mais de um século, espectáculos, sobretudo comédias, que divertiram várias gerações. Em http://cvc.instituto-camoes.pt/teatro-em-portugal-espacos/teatro-do-ginasio

[9] Em "Estados autoritários e totalitários e suas representações". Coordenação de Luís Reis Torgal e Heloísa Paulo Coimbra, 2008.

[10] Em Prefácio de António Quadros a "Os Meninos de Oiro" de Augusto Cunha. Braga, 1988.

[11] Contrato de arrendamento da casa de Augusto e Umbelina Cunha sita na Av. da Republica 91, 3, renda de 600$00. Data: 11 de Outubro de 1938. Arquivo Histórico da Fundação António Quadros, PT/FAQ/AFC/07/002               

[12] “Delegado da Agência Geral das Colónias junto do S.P.N.”, Boletim n.º 209, Novembro de 1942, p. 49.

[13] Em Bibliografia de Augusto Cunha, organizada por seus filhos e publicada na sua obra "Os Meninos de Oiro". Braga, 1988.

[14] Referência em Carta do Director do Jornal Radiofónico do Império e Emissora Nacional, Dr. Augusto Cunha, ao Comandante Manoel Maria Sarmento Rodrigues, Governador da Guiné: Arquivo Histórico da Marinha, Fundo Particular Almirante Sarmento Rodrigues/cx. 9PT/BCM-AH/APAMMSR/3-3/21/061.

[15] António Ferro morre a 11 de Novembro de 1956.