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«COMO UM SÓ NAVIO» – Poema de António Quadros. Um beijo só, amor, e deixa-me partir, à procura de ti, dentro de mim. Voltarei mais forte e mais sincero, pois como posso amar-te, sem te achar no meu deserto de coisas incompletas? Um beijo só, amor, e deixa que me afaste, para as regiões onde és fonte de mim. Quando voltar, hei-de te dar a conhecer a tua imagem pura reflectida nos teus olhos, para que também eu seja contigo no teu mundo. Um beijo só, amor, e deixa-me contigo, pois sem o teu corpo eu posso desejar-te melhor. E depois, na esteira desse encontro perfeito, As nossas vidas seguirão eternamente juntas Como um só navio, vencendo os temporais. Em Viagem Desconhecida. Itinerário Poético, 1952. Capa e ilustrações de Martins Correia. «VEM NOITE» – Poema de António Quadros. Vem, noite, vem docemente afagar a minha alma… que todo este horror desapareça! Lágrimas, soluços, tristes e longos beijos, a tua máscara fria, os teus olhos fixos de quem viu a morte. vem noite. A minha filha morreu e eu quero dormir, quero sonhar com esses dias em que ignorava a morte. Não chores, meu amor! Espera pela noite! Iremos os dois de mão dada pela estrada fora. Lá ao fim, a nossa filha sorri… Vem, noite, vem docemente afagar a nossa alma… Em Além da Noite. Poemas, 1949.
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