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Fundação António Quadros
2021 - ARTE Imprimir e-mail

PRÉMIO ANTÓNIO QUADROS

2021

CATEGORIA: ARTE

EQUIPA DE COORDENAÇÃO: Mafalda Ferro; Margarida de Magalhães Ramalho.

JÚRI: Margarida de Magalhães Ramalho (presidente); Henrique Cayatte (vogal); Margarida Cunha Belém (vogal).

OBRA VENCEDORA: Sarah Affonso: Os dias das pequenas coisas.

AUTORIA: Ana Rita Duro, Ana Vasconcelos, António Medeiros, Aurora Carapinha, Emília Ferreira, Joana Baião, Maria de Aires Silveira, Paulo Ribeiro Baptista, Susana Pires, Vera Barreto.

COORDENAÇÃO: Emília Ferreira.

TROFÉU: O troféu «Vida», em forma de espiral (bronze sobre base em madeira nobre) foi criado pela arquitecta / escultora Cristina Rocha Leiria.

CERIMÓNIA DE ENTREGA: Fundação António Quadros, Rio Maior, Julho de 2022.

APOIOS: Câmara Municipal de Rio Maior; Casa da Caldeira; Doces d'Aldeia; Enoport Wines; Loja do Sal.

RELATÓRIO DO JÚRI:

Ao atribuir o Prémio António Quadros 2021, ARTE o júri quis distinguir uma obra de qualidade artística evidente e que tivesse uma ligação também à própria Fundação António Quadros. Nesse âmbito, e tendo em conta que devido à pandemia, as obras a concurso podiam ser de 2019 e 2020, foi atribuído, numa única sessão e por unanimidade o Prémio de 2021 à obra que acompanhou a exposição realizada, em 2019, no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) Sarah Affonso, Os Dias das Pequenas Coisas.
 
O livro, assinado por Emília Ferreira, Joana Baião, Paulo Ribeiro Baptista, Ana Vasconcelos, António Medeiros, Maria de Aires Silveira, Ana Rita Duro, Susana Pires, Aurora Carapinha e Vera Barreto, é coordenado por Emília Ferreira.                                  
A obra percorre sala-por-sala a exposição em homenagem a Sarah Affonso: Os Dias das Pequenas Coisas. Tem 222 páginas, e dá-nos a conhecer, não só a obra plástica desta pintora - que trabalhou de perto com Fernanda de Castro e António Ferro - como a sua vida pessoal numa fotobiografia rigorosa.                                                                             
A "arte" e a "vida", expostas no Museu do Chiado, revelaram uma Sarah por inteiro, e esta publicação guarda essa memória, sem mácula. Em primeiro lugar, porque o nome Sarah Affonso (1899 1983) tem grande importância no panorama artístico nacional, ainda que se trate de uma homenagem a uma mulher, que foi muitas outras coisas para além de pintora. Começa por ser uma artista num meio maioritariamente masculino, uma estudante de Belas-Artes numa altura em que não era bem visto as mulheres frequentarem aulas de modelo nu, escolhe Columbano para professor, prefere Matisse a Picasso, entra sozinha na Brasileira do Chiado e vai sozinha para Paris, para aprender tudo o que a cidade tinha para lhe oferecer. E também é a mulher de Almada. E mãe de dois filhos. A infância marca-a mais pelo sítio que pelas memórias felizes, uma ideia do Minho, onde viveu até aos 14 anos, e que transporta consigo. Tal como um lado de gostar de coisas simples, ou de "pequenas coisas" que transforma com mestria em botões, almofadas, ou quadros, como quem sabe o que faz, aquilo de que gosta. Como gostava de procissões e de bordados, de fazer ilustrações para livros infantis, esticar telas e mexer nas tintas, ler livros, ver pintura.                                                                      
Sarah Affonso é uma mulher de escolhas, opções e imperativos. Tinha a fragilidade e a lucidez de quem sabe a diferença que existe entre um pintor e um artista. Casou aos 35 anos com um, que admirava desde sempre, desde os tempos em que ele era Poeta do Orpheu, Futurista & Tudo, e justamente na altura em que muitos acreditavam que tinha deixado de o ser. A vida foi dura, num país em que as encomendas foram sempre raras e onde a coragem para continuar também necessitava do empenho de amigos, como Fernanda de Castro ou Sophia de Mello Breyner, que a convidou para ilustrar a Menina do Mar. Deixou uma obra delicada, verdadeira, emocional, e despretensiosa. E por isso mesmo, comovente em muitos sentidos.                                                                               
Oitenta e quatro anos são muitos dias vividos, o que esta obra nos recorda, é que em cada um deles, a Sarah conseguiu fazer muitas pequenas (grandes) coisas.

Apreciada também pelo júri, foi a qualidade da edição.
Com um formato especial (mais baixo que alto), bem impresso e acabado e com materiais menos exuberantes do que o habitual em situações similares, este livro sobre Sarah Affonso é uma peça a reter.
Design depurado e adequado a um conteúdo muito bem pensado e desenvolvido, esta obra marca decisivamente a bibliografia sobre este período das artes plásticas em Portugal. A época em que viveu esta singular artista e os diversos registos empregues mostram para lhes dar corpo, com sobriedade, as diversas etapas da sua vida são elementos estruturantes que lhe conferem personalidade. O tratamento fotográfico é muito bem feito sabendo conjugar diversos tempos sem nunca perder de vista a importância de cada documento e a sua relação com o conjunto. Boas reproduções inclusivé nos pretos brancos que têm muitas variantes nos originais a relação entre o peso dos textos e das imagens é equilibrada tornando a sua leitura num prazer particular. Esta edição vem, de resto, na linha de qualidade de outras edições da Tinta da China, uma editora que nos habituou à sua independência. 

JÚRI, NOTAS BIOGRÁFICAS:

Margarida de Magalhães Ramalho nasceu em Lisboa em 1954.

É licenciada em História da Arte e investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Começou a sua actividade de investigadora em 1986 no âmbito da fortificação marítima tendo dirigido, entre 1987 e 2005, em Cascais, várias escavações arqueológicas.

Entre 1993 e 1998 pertenceu aos quadros da Exposição Mundial de Lisboa (EXPO'98) onde comissariou várias exposições.

A partir de 1999, é freelancer tendo comissariado inúmeras exposições tanto em Portugal como no estrangeiro. Tem mais de duas dezenas de livros publicados.

Em 2018 foi Prémio do Grémio Literário e Prémio da Fundação António Quadros. Colabora regularmente com artigos de História como o semanário Expresso e a revista Visão História.

Desde 2000 que se dedica ao estudo das questões relacionadas com a chegada de refugiados durante a II Guerra Mundial. Nesse âmbito é a responsável científica do Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes e do Museu Vilar Formoso, Fronteira da Paz, Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes inaugurado, em Vilar Formoso em 2017. A investigação feita no âmbito deste último mereceu-lhe, em 2018, o Prémio APOM (Associação Portuguesa de Museologia) na categoria de Investigação.

 

Henrique Cayatte nasceu em Lisboa em 1957.

Designer e ilustrador com um vasto trabalho de design na área editorial, em museografia e no espaço público. Fundador e autor do design global, editor e ilustrador do jornal Público até 2000. Co-autor do sistema de sinalética e comunicação da EXPO '98. Foi responsável pelo design dos Pavilhões de Portugal nas exposições universais na Expo ‘98, Hannover 2000 e Aichi 2005 no Japão.

Co-comissário e designer das exposições Cassiano Branco – uma obra para o futuro, Liberdade e Cidadania - 100 Anos Portugueses, Engenharia Portuguesa do Século XX e 1990/2004 Arquitectura e Design de Portugal, na Trienal de Milão, entre outras. Autor do design das revistas LER - duas vezes -, Egoísta, Atlântica, Cubo, entre outras publicações.

Designer do Diário de Notícias [2006-2007].

Autor do design global do primeiro Passaporte Eletrónico Português e do Cartão Único de Cidadão. Presidente do Centro Português de Design entre 2004 e Abril de 2012. Integrou a direcção europeia de design [BEDA The Bureau of European Design Associations 2008-2012].

Professor auxiliar convidado da Universidade de Aveiro desde 2004.

 

Margarida Cunha Belém nasceu em Lisboa em 1967.

Licenciada em Pintura na Escola de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Expõe desde 1993, tendo feito exposições no Porto, Évora, Sintra, Alcobaça no Centro Cultural Emmérico Nunes (Sines) e em Lisboa. Últimas exposições: 2017: "Roma" na Galeria Sá da Costa, Chiado; 2019: "Os Maias" no Convento dos Cardaes, Lisboa; 2021: "Labirintos" na Galeria Sá da Costa, Chiado.

Fez trabalhos de restauro de arquitectura para o Gabinete Técnico de Alfama; Participou na pesquisa iconográfica de 18 biografias coordenadas por Joaquim Vieira para o Círculo de Leitores; fez pesquisa iconográfica e foi autora de textos para várias exposições; e comissariou as exposições: Francisco de Holanda: Desejo, Desígnio e Desenho 1517 – 1684, (2017) e Pardal Monteiro: Arquitectura pura e simplesmente, (2019) ambas no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

Foi co-autora (com Gabriella Casella) do livro: Cal D. Fradique – uma herança milenar que regista o estudo sobre o restauro do Palácio Belmonte em Lisboa (1996); e do livro Diálogos de Edificação – Técnicas tradicionais de Construção, editado pelo CRAT (1998).

Foi co-autora (com Margarida Magalhães Ramalho) da fotobiografia sobre o pintor Amadeo de Sousa-Cardoso, ed. Círculo de Leitores, (2009). É autora de dois livros que integram a colecção Essenciais sobre os arquitectos: Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, editados pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda (2011).