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Fundação António Quadros
2022 - HISTÓRIA Imprimir e-mail

PRÉMIO ANTÓNIO QUADROS

2022

 

CATEGORIA: HISTÓRIA

EQUIPA DE COORDENAÇÃO: Mafalda Ferro; Margarida de Magalhães Ramalho.

JÚRI: Margarida de Magalhães Ramalho (presidente); Henrique Cayatte (vogal); Margarida Cunha Belém (vogal).

 

OBRAS VENCEDORAS (conjunto)

Atravessando a Porta do Pacifico, Roteiros e Relatos da Travessia do Estreito de Magalhães, 1520-1620; 

Desenhando a Porta do Pacifico, Mapas, Cartas e outras Representações Visuais do Estreito de Magalhães.

AUTORES: Henrique Leitão; Jose Maria Moreno Madrid.TROFÉU: O troféu «Vida», em forma de espiral (bronze sobre base em madeira de mogno) foi criado pela arquitecta / escultora Cristina Rocha Leiria.

TROFÉU: O troféu «Vida», em forma de espiral (bronze sobre base em madeira nobre) foi criado pela arquitecta / escultora Cristina Rocha Leiria. 

CERIMÓNIA DE ENTREGAFundação António Quadros, Rio Maior, Julho de 2022.

APOIOS: Câmara Municipal de Rio Maior; Casa da Caldeira; Doces d'Aldeia; Enoport Wines; Loja do Sal.

 

NOTAS BIOGRÁFICAS DOS AUTORES

Henrique Leitão é Investigador Principal do Centro Interuniversitário de História da Ciência e da Tecnologia (CIUHCT) e do Departamento de História e Filosofia das Ciências (DHFC), na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Foi presidente do Departamento em 2015-18 e 2018-21, e actualmente é Pró-Reitor da Universidade de Lisboa.
Os seus interesses de investigação estão centrados na história da ciência nos séculos XVI e XVII, em especial na história da matemática, cosmografia e da cartografia. É o responsável da comissão científica encarregue da publicação das Obras de Pedro Nunes, pela Academia das Ciências de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian. Foi autor/editor de mais de 20 livros e de cerca de 100 artigos/capítulos académicos. 
É membro de várias associações académicas, entre as quais a Academia das Ciências de Lisboa, a Academia de Marinha, a Académie International d’Histoire des Sciences. Recebeu diversas distinções e prémios, entre os quais o Prémio Pessoa (2014), a Comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2015), e em 2018 uma Advanced Grant do European Research Council.
 
José María Moreno Madrid é licenciado em História e mestre em Antropologia e História da América pela Universidad Complutense de Madrid. Actualmente está a terminar o seu doutoramento em História e Filosofia da Ciência na Universidade de Lisboa, no marco do Projecto ERC "RUTTER: Making the Earth Global". Os seus interesses de investigação têm a ver com a relação entre ciência e império na Idade Moderna, com especial atenção à ciência ibérica. Recentemente foi galardoado com uma Andrew Mellon Fellowship do Department of History of Science, Technology and Medicine da Oklahoma University, e uma Residential Fellowship da Linda Hall Library (Kansas).

 

RELATÓRIO DO JÚRI: 

Na atribuição do Prémio António Quadros 2022, História, o júri procurou galardoar uma obra que se tenha distinguido, entre 2020 e 2021, no âmbito da História de Portugal, uma temática tão amada e trabalhada por António Quadros.
  
Nesse sentido, o júri, numa única sessão, deliberou por unanimidade atribuir este prémio ao conjunto de duas obras complementares, da autoria de Henrique Leitão e Jose Maria Moreno Madrid, realizadas no âmbito das Comemorações do V Centenário do reconhecimento do Estreito de Magalhães. Este, como se sabe, abriu ao mundo a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacifico. A importância mundial deste acontecimento levaria, séculos mais tarde a NASA a baptizar com o nome Magellan (Magalhães) uma sonda espacial que partiu para Vénus a 4 de Maio de 1989.
 
A complementaridade entre estas duas obras é fundamental já que, como os próprios autores afirmaram «história das primeiras representações visuais do Estreito de Magalhães entende-se muito melhor quando acompanhada dos textos que as motivaram, e vice-versa».
 
Com o título, Atravessando a Porta do Pacifico, Roteiros e Relatos da Travessia do Estreito de Magalhães, 1520-1620, o primeiro livro a ser editado no final de 2020, apresenta uma serie de relatos, alguns dos quais inéditos relativos aos primeiros cem anos da travessia do Estreito. O critério de selecção dos autores teve como objectivo dar a conhecer ao leitor comum as dificuldades encontradas pelos primeiros navegadores que enfrentaram um estreito desconhecido mostrando simultaneamente os aspectos técnicos, geográficos, náuticos, meteorológicos e científicos com que podiam, então, contar.
 
Alguma desta documentação nunca fora publicada em Portugal passando agora a estar disponível. Aliás, é interessante verificar que poucas obras portuguesas se têm dedicado ao estudo da viagem de Fernão de Magalhães. Felizmente, a Estrutura de Missão criada para as Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães (EMCFM) veio colmatar essa falha. 

Sobre esta obra diria, no seu prefácio José Marques presidente da EMCFM () o seu conteúdo assente na inegável erudição dos textos originais, associado a uma bibliografia, cronologia e seleção de textos de rara excelência, tornam-no num livro único sobre a história do Estreito de Magalhães.


Por outro lado, os autores refeririam que:

« () atravessar o Estreito foi de início uma das mais temidas e mais perigosas façanhas da marinharia do século XVI e com essa travessia resolviam-se décadas de discussão sobre a geografia do novo continente americano e abria-se a porta para o Pacífico e a navegação em outros mares».

 

O segundo livro, editado em meados de 2021 com o título Desenhando a Porta do Pacifico, mapas, Cartas e outras Representações Visuais do Estreito de Magalhães, reúne setenta cartas náuticas e muitas outras representações do Estreito de Magalhães. Desenhadas entre 1520 e 1571 estão arquivadas em arquivos nacionais e estrangeiros dispersos um pouco por todo o mundo. Qualquer investigador ou estudioso poderá agora ter uma visão de conjunto muito mais alargada com a facilidade de saber aonde poderá encontrar, se assim o quiser, o original.

 

O resultado para a historiografia do trabalho realizado pela dupla, Henrique Leitão e José Maria Moreno Madrid, é inquestionavelmente importante. Tem o interesse suplementar ter resultado de uma parceria ibérica que, de certo modo, homenageia a parceria original Fernão de Magalhães/ Sebastian Elcano.
 
Sobre a construção de um novo espaço geográfico, escreveriam os autores neste segundo livro:

«Para o leitor dos nossos dias, capaz de contemplar a totalidade do globo no ecrã de um computador, pode não ser fácil entender o desafio que era, nos séculos XVI e XVII, dar forma aos novos territórios que estavam a ser alcançados. Sem fotografias de satélite, sem os processos avançados da cartografia matemática, as representações visuais da geografia – mapas, cartas náuticas, desenhos, simples esquemas e croquis, etc. – dependiam da capacidade do desenhador para abstrair o espaço observado e trasladá-lo ao pergaminho ou papel. Com frequência, esta abstracção não tinha a sua origem na observação directa, mas na consulta de fontes textuais ou em testemunhos orais. Roteiros, relatos de viagem, diários de bordo e outros documentos de natureza análoga jogaram um papel fundamental na percepção e construção do espaço geográfico».

 E, mais à frente, ao colocarem o livro no seu contexto diriam:

«Deve ter-se presente que não era só a imagem do Estreito de Magalhães e Terra do Fogo que estava a ser construída entre 1520 e 1671. Os processos de construção da imagem geográfica que descrevemos de maneira abreviada nos parágrafos anteriores não se referem exclusivamente ao espaço magalhânico, mas foi, em maior ou menor medida, o que se passou com todos os territórios que os europeus estavam a conhecer e cartografar pela primeira vez nos séculos XVI e XVII. Estas dinâmicas de circulação de informações, as dicotomias entre diferentes paradigmas cartográficos, e os múltiplos desafios criados pelas complexas geografias do globo foram relevantes e estiveram em jogo nas discussões e tentativas de representar todas as novas linhas de costa, desde o Estreito até à costa norte-americana; da ilha da Terra Nova ao litoral oriental africano, ou desde Malaca à ilha de Ternate. Avançava-se, paulatinamente, para a representação de um mundo mais global, interconectado por rotas imensas através de oceanos outrora considerados intransponíveis.»

 
Com toda a certeza, nem Magalhães nem Elcano, quando fizeram a sua viagem, em 1520, (que terminaria nesse ano com a morte de Magalhães e, seis anos depois, na segunda travessia do Estreito com a morte de Elcano) pensariam em termos de globalização, um conceito que nos é hoje tão caro. Muito provavelmente partiam motivados pela aventura, pela vontade de se superarem a si próprios e de seguirem aquilo que pensavam ser verdade.

Sabemos que quase todos os avanços da Humanidade abrem uma Caixa de Pandora que pode traduzir-se em guerras, mortes, exploração indígena, destruição da natureza etc. No entanto, há sempre um saldo muito positivo em todos eles porque, quer queiramos quer não, é assim que se cresce e, esperamos, nos poderemos tornar mais humanos, mais fraternos e mais tolerantes. 


JÚRI, NOTAS BIOGRÁFICAS:

Margarida de Magalhães Ramalho nasceu em Lisboa em 1954.

É licenciada em História da Arte e investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Começou a sua actividade de investigadora em 1986 no âmbito da fortificação marítima tendo dirigido, entre 1987 e 2005, em Cascais, várias escavações arqueológicas.

Entre 1993 e 1998 pertenceu aos quadros da Exposição Mundial de Lisboa (EXPO'98) onde comissariou várias exposições.

A partir de 1999, é freelancer tendo comissariado inúmeras exposições tanto em Portugal como no estrangeiro. Tem mais de duas dezenas de livros publicados.

Em 2018 foi Prémio do Grémio Literário e Prémio da Fundação António Quadros. Colabora regularmente com artigos de História como o semanário Expresso e a revista Visão História.

Desde 2000 que se dedica ao estudo das questões relacionadas com a chegada de refugiados durante a II Guerra Mundial. Nesse âmbito é a responsável científica do Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes e do Museu Vilar Formoso, Fronteira da Paz, Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes inaugurado, em Vilar Formoso em 2017. A investigação feita no âmbito deste último mereceu-lhe, em 2018, o Prémio APOM (Associação Portuguesa de Museologia) na categoria de Investigação.

 

Henrique Cayatte nasceu em Lisboa em 1957.

Designer e ilustrador com um vasto trabalho de design na área editorial, em museografia e no espaço público. Fundador e autor do design global, editor e ilustrador do jornal Público até 2000. Co-autor do sistema de sinalética e comunicação da EXPO '98. Foi responsável pelo design dos Pavilhões de Portugal nas exposições universais na Expo ‘98, Hannover 2000 e Aichi 2005 no Japão.

Co-comissário e designer das exposições Cassiano Branco – uma obra para o futuro, Liberdade e Cidadania - 100 Anos Portugueses, Engenharia Portuguesa do Século XX e 1990/2004 Arquitectura e Design de Portugal, na Trienal de Milão, entre outras. Autor do design das revistas LER - duas vezes -, Egoísta, Atlântica, Cubo, entre outras publicações.

Designer do Diário de Notícias [2006-2007].

Autor do design global do primeiro Passaporte Eletrónico Português e do Cartão Único de Cidadão. Presidente do Centro Português de Design entre 2004 e Abril de 2012. Integrou a direcção europeia de design [BEDA The Bureau of European Design Associations 2008-2012].

Professor auxiliar convidado da Universidade de Aveiro desde 2004.

 

Margarida Cunha Belém nasceu em Lisboa em 1967.

Licenciada em Pintura na Escola de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

Expõe desde 1993, tendo feito exposições no Porto, Évora, Sintra, Alcobaça no Centro Cultural Emmérico Nunes (Sines) e em Lisboa. Últimas exposições: 2017: "Roma" na Galeria Sá da Costa, Chiado; 2019: "Os Maias" no Convento dos Cardaes, Lisboa; 2021: "Labirintos" na Galeria Sá da Costa, Chiado.

Fez trabalhos de restauro de arquitectura para o Gabinete Técnico de Alfama; Participou na pesquisa iconográfica de 18 biografias coordenadas por Joaquim Vieira para o Círculo de Leitores; fez pesquisa iconográfica e foi autora de textos para várias exposições; e comissariou as exposições: Francisco de Holanda: Desejo, Desígnio e Desenho 1517 – 1684, (2017) e Pardal Monteiro: Arquitectura pura e simplesmente, (2019) ambas no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

Foi co-autora (com Gabriella Casella) do livro: Cal D. Fradique – uma herança milenar que regista o estudo sobre o restauro do Palácio Belmonte em Lisboa (1996); e do livro Diálogos de Edificação – Técnicas tradicionais de Construção, editado pelo CRAT (1998).

Foi co-autora (com Margarida Magalhães Ramalho) da fotobiografia sobre o pintor Amadeo de Sousa-Cardoso, ed. Círculo de Leitores, (2009). É autora de dois livros que integram a colecção Essenciais sobre os arquitectos: Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, editados pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda (2011).