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Fundação António Quadros
Inéditos - Fernanda de Castro Imprimir e-mail

 Autores 
Inéditos - Fernanda de Castro
Maria de Fátima Quadros
Maria Ana Ferro
Francisco de Almeida Dias
Fundação António Quadros
Manuel Cardoso
Leopoldo Amado


Fernanda de Castro Fernanda de CastroFernanda de Castro


Casa Fernanda Palavra
Francisco de Almeida Dias, Università degli Studi di Roma Tre.


Imagino-a: uma grande casa de paredes sólidas e alvadias, de janelas e portas abertas sobre uma bela manhã de Primavera, cheia de flores, debruçada sobre um bairro antigo de Lisboa, sobre o rio visto da outra banda, ou sobre as extremas colinas de Marvão. Uma casa cheia de mistério, de presenças que atravessam as estâncias, de pequenos objectos sentimentais.

Tal deve-se ao facto de ter Fernanda de Castro habitado sempre casas excepcionais. Recordo, de relance, a casa pombalina de Cacilhas, a casa cor-de-rosa de Maria da Lua, tutelada pelas presenças de uma Avó velhinha e doce e de uma Tia severa de outros tempos. Recordo a casa da juventude, a Santa Quitéria, onde o acaso colocou os Leitão de Barros no quintal confinante e reuniu, no entre-cá-e-lá desse muro, a geração Segundo Modernismo português. E, enfim, a casa que mais completamente exprimiu a alma da Poetisa e da Mulher, onde viveu toda a vida desde o casamento: a casa dos Caetanos.

Este prédio histórico, em cuja fachada se acumularam em épocas sucessivas placas evocativas de celebridades que o habitaram, é certamente lugar de uma energia especialíssima, t“po loj fainw, loco de revelações. Tecto, pois, de pessoas luminosas como o foi Fernanda de Castro: ser iluminado e iluminante.

Emoção de entrar na sua grande casa da Poesia, habitar o tempo das palavras, o espaço das suas palavras, para, liberto de espaço e tempo, voar com as palavras...

grego:t“po loj fainw, significa revelação do sagrado