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ANTÓNIO QUADROS VIda e Obra (cronologia) 1923 Nasce em Lisboa, no dia 14 de Julho. 1927 Nasce o seu único irmão, Fernando Manuel. 1929 Entra para a primeira classe na Escola Francesa onde permanece até ingressar no Liceu Pedro Nunes. 1940 Inscreve-se na Faculdade de Direito onde fica apenas durante um ano lectivo. 1941 Entra para a Faculdade de Letras. 1946 Cumpre o serviço militar na Póvoa do Varzim. Inicia a sua actividade profissional na Secção de Propaganda e de Turismo dos Serviços Culturais da Câmara Municipal de Lisboa. 1947 Casa com Paulina Maria de Roure Roquette (Pó). Publica Modernos de Ontem e de Hoje. 1949 Conclui a sua licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, com a dissertação O Génio Nacional na Arquitetura Portuguesa. Publica o seu primeiro livro de poesia Além da Noite que dedica “À minha mãe, ao meu pai e à minha mulher, três poetas da minha poesia”. António Quadros e sua mulher, Paulina Ferro, tiveram antes além do António (1952), da Mafalda (1953) e da Rita (1955) dois filhos que morreram horas depois do nascimento e foram sepultados sem nome: o primeiro, do sexo feminino, faleceu a 10 de Janeiro de 1949 (ler o poema Vem, noite, que dedica a sua mulher na p.131 da obra "Além da noite", publicada em 1949; o segundo, do sexo masculino, faleceu a 1 de Novembro de 1950; o terceiro do sexo feminino, faleceu a 7 de Setembro de1956. 1950 Inicia o convívio com Álvaro Ribeiro e José Marinho, discípulos de Leonardo Coimbra, na sua opinião “o triângulo estruturante da escola filosófica portuguesa no século XX”. Escreve artigos e críticas sobre dança, chegando a ser co-autor com o irmão de um programa semanal na Emissora Nacional que se intitulava "Viagens ao Mundo da Dança", por Rui Bandeira [pseudónimo de António Quadros] e Fernando Teles de Castro. O indicativo musical era a abertura de um bailado de Tchaikovsky, talvez de "A Bela Adormecida"? 1951 Nasce o seu filho mais velho a quem dá o nome de António Duarte. Funda com Orlando Vitorino Acto - fascículos de cultura que defende a originalidade de uma filosofia portuguesa, autónoma e diferenciada e, nesse mesmo ano, publica o primeiro número. 1952 Publica o 2.º e último número de Acto - fascículos de cultura. Publica Viagem Desconhecida. Um itinerário poético 1950-1952. 1953 Nasce a sua primeira filha, Ana Mafalda. Colabora com os Serviços da Campanha Nacional de Educação de Adultos. Prossegue e desenvolve a sua acção e a sua obra, afirmando os princípios de uma Filosofia Portuguesa. Começa a distinguir-se como conferencista, sendo constantemente solicitado para proferir palestras sobre os mais variados temas à volta da cultura portuguesa. 1954 Publica Introdução a uma Estética Existencial I: A Arquitectura Portuguesa. 1955 Nasce a sua filha mais nova, Rita Maria. Parte com a mulher numa viagem que intitula “A Itália em 30 dias”. Continua, até ao fim da vida, a visitar locais situados em quatro continentes, recolhendo fotografias, diapositivos e memórias que utiliza nas suas aulas de História de Arte. 1956 Publica A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade. Ensaios. Recebe com enorme tristeza a notícia da morre súbita de António Ferro, seu pai, grande amigo, conselheiro e confidente, personalidade que o inspira durante toda a vida. 1957 Profere, na sede do Centro de Estudos Político-Sociais, a conferência intitulada Problemática Concreta da Cultura Portuguesa cujo teor será publicado no mesmo ano com o mesmo título. Lança, dirige e publica, com Afonso Botelho e Orlando Vitorino, os 11 números do jornal 57 (1957-1962). É condecorado pela Rainha Isabel II, de visita a Portugal, com a Ordem Britânica da Rainha Vitória. Estreita a sua ligação com o catolicismo. 1958 Publica O Enigma de Lisboa. Ensaio de psicologia e psicografia de uma cidade. Inicia a sua actividade no Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian com a função de Inspector-geral, cargo que lhe permite viajar por todo o país. Publica Diagnose da Arte Moderna. Ensaio de Interpretação Filosófica da Estética Contemporânea (separata). Publica Algumas reflexões sobre a Deontologia da Comunicação Social (separata). 1959 Publica A Existência Literária. 1960 Publica Anjo Branco, Anjo Negro. Contos. Publica Fernando Pessoa. 1961 Começa a frequentar os Cursos de Cristandade, iniciativa que abraça com fé, entusiasmo e convicção. 1962 Participa no colóquio O que é o Ideal Português com O ideal Português na Filosofia. As Teses apresentadas no Colóquio são reunidas e publicadas no mesmo ano, com o mesmo título, sob sua orientação. 1963 Publica O Movimento do Homem. Organiza, seleciona os textos, comenta e prefacia António Ferro, edições Panorama. 1964 Publica Crítica e Verdade. Introdução à Actual Literatura Portuguesa. Funda Espiral - Cadernos de Cultura. 1964-1967 Dirige, colabora e edita os 13 únicos números, em 9 volumes, de Espiral - Cadernos de Cultura. 1965 Publica Carlos Botelho - Estudo crítico. Publica Histórias do Tempo de Deus que oferece a sua mulher “à Pó oferece estas histórias de uma alma que se reencontrou, de um espírito que se abriu e muito tem ainda de caminhar e mais ajuda ainda precisa, com amor, com gratidão, com ternura, o António”. Inicia, a convite de Agostinho da Silva, uma intensa relação com a comunidade académica brasileira. Durante mais de duas décadas, profere conferências, organiza colóquios e dá aulas sobre temas de filosofia e cultura portuguesa na Universidade de Brasília, São Paulo e em outros importantes centros culturais brasileiros. 1966 Publica O Português e o Barroco (separata). Edita, em Edições Espiral, Imitação do Homem. Odes e A introdução ao teatro Português do século XX, de Duarte Ivo Cruz (s.d.). 1967 Publica O Espírito da Cultura Portuguesa. Ensaios literários e histórico-filosóficos. 1967/1968 È autor da introdução, advertência, selecção e notas de A Teoria da História em Portugal II A Dinâmica da História, editado pelas Edições Espiral. Edita, em Edições Espiral, A Teoria da História em Portugal I O Conceito da História. 1968 Publica o seu depoimento “A Guerra do Vietname – uma perspetiva em linha de Filosofia da História” em “A Guerra do Vietname 1. A Polémica”. 1969 Recebe o diploma académico de Pós-Licenciatura em Histórico-Filosóficas. Inicia um cruzeiro à Rússia no decorrer do qual conhece dois espanhóis de quem se viria a tornar grande amigo e com quem sonha o IADE: Francisco Carralero Saiz e António Perez de Castro. Funda o IADE com António Perez de Castro, Conceição Roquette, Francisco Carralero Saiz, Manuel Ferreira de Lima, Julio Illa Ocaña e Sebastião Pombal. Convida para director-geral o seu amigo José de Lima de Freitas que assume o cargo até 1971. Publica Uma Viagem à Rússia. Impressões e reflexões. O interesse português pela cultura russa. 1970 Publica, em Edições Espiral, Franco-Atirador. Ideias, combates e sonhos. 1971 Publica Ficção e Espírito. Memórias Críticas – uma incursão vivencial e crítica nas situações-limite de cisão, crise e transcendência da literatura contemporânea. Edita, em Edições Espiral, “Liberdade de Pensamento e Autonomia de Portugal”, de Pinharanda Gomes. Aceita o convite, formulado por Adriano Moreira, para ocupar o cargo de Académico Correspondente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Assume o cargo de director-geral do IADE, continuando a presidir ao Conselho de Administração e a leccionar as cadeiras de História de Arte e Cultura Portuguesa, até 1992. Prossegue e realiza uma vasta obra nas áreas do ensaio filosófico, da ficção e da poesia, ampliando e aprofundando o estudo da obra de Fernando Pessoa, da qual virá a ser o primeiro intérprete. Desenvolve uma séria, inovadora e complexa reflexão sobre Portugal e o significado mais secreto da sua cultura e do seu destino histórico e transcendente. Continua a intervir na vida cultural portuguesa, proferindo conferências, participando em congressos, colóquios e seminários, colaborando regularmente na imprensa e exercendo, ao longo da vida, diversas funções ou assumindo cargos de relevante significado e responsabilidade, como os de membro da primeira Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, de que foi um dos fundadores, Presidente da Comissão Nacional para o Ano Internacional da Alfabetização, Representante do Ministério da Educação no Comité Nacional para a Década Mundial do Desenvolvimento Cultural, Director da “Biblioteca Breve” do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Membro da Direcção do Círculo Eça de Queirós e Membro-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Filosofia, Membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, do Centro de Estudos Luso-Brasileiros, e do CELBRA, Centro de Estudos de Pensamento Luso-Brasileiro (Rio de Janeiro) e ainda Vogal do Conselho de Administração da Fundação Lusíada. Lecciona na Universidade Católica Portuguesa a disciplina de Deontologia da Comunicação. 1972 Realiza um ciclo de conferências sobre Literatura Infantil O Sentido Educativo do Maravilhoso cujos conteúdos, no mesmo ano, publica. Publica Pedro e o Mágico. Histórias Maravilhosas. 1973 Realiza e publica um ciclo de conferências sobre Literatura Juvenil A Aventura e o Mundo Juvenil e os seus Aspectos Educativos cujos conteúdos publica no mesmo ano. Publica a segunda edição, revista e aumentada, de Anjo Branco, Anjo Negro. Contos fabulosos e alegóricos. Parte num cruzeiro ao Mediterrâneo, na companhia da mulher e das duas filhas. 1974 Por morte do seu grande amigo Branquinho da Fonseca, é convidado a exercer o cargo de director do Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. 1975 Depois do casamento das duas filhas, muda-se para Cascais, com a mulher e o filho. É nomeado professor-convidado da Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro. 1976 Publica Portugal, entre Ontem e Amanhã. Da cisão à revolução. Dos absolutismos à democracia, Sociedade de Expansão Cultural. Viaja com a mulher e com a mãe até à Costa Brava e à Provença. Aproveita a ocasião para visitar e conversar com Salvador Dali e Gala na sua casa de Port Ligat. 1977-1992 Dirige alternadamente com Álvaro Salema a Biblioteca Breve. 1978 Publica A Arte de Continuar Português. Ensaios e textos polémicos que dedica “À Rita, minha filha mais nova, e à sua geração para que continue Portugal”. 1979 Começa a organizar os seus álbuns fotográficos, registo da sua vida pessoal, profissional e intelectual. 1980 Publica Ó Portugal, Ser Profundo, poema que viria a ser musicado e cantado por Gonçalo da Câmara Pereira num dos seus fados mais emblemáticos e utilizado como hino da Fundação António Quadros. 1981 Publica Fernando Pessoa: A obra e o homem. Vida, Personalidade e Génio (1.ª edição). Renuncia ao seu cargo nas Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian para se poder dedicar a tempo inteiro ao IADE e à actividade literária. 1982 Publica Introdução à Filosofia da História: Mito, História e Teoria da História no pensamento europeu e no pensamento português. Publica Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista I: O Sebastianismo em Portugal e no Brasil. Publica Fernando Pessoa II Iniciação Global à Obra. A obra e o homem. 1983 Publica Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista II. Polémica, História e Teoria do Mito. 1984 Publica Fernando Pessoa: A obra e o homem. Vida, Personalidade e Génio (2.ª edição) seguido de Heteronímia e Alquimia ou do Espirito da Terra ao Espirito da Verdade. Recebe o Prémio do Município de Lisboa, categoria de ensaio, pela sua obra Fernando Pessoa, Vida, Personalidade e Génio. 1985 No dia 5 de Novembro, conhece Gilberto de Mello Kujawski. Organiza a Obra Poética de Mário de Sá-Carneiro. Publica A Obra de Leonardo Coimbra no contexto cultural da sua época (separata). 1985/1986 Organiza e prefacia os 17 volumes da Obra Poética e em Prosa de Fernando Pessoa. 1986 Publica Portugal, Razão e Mistério I. Uma Arqueologia da Tradição Portuguesa: Introdução ao Portugal Arquétipo - A Atlântida Desocupada - O País Templário. Organiza com Dalila Pereira da Costa os 3 volumes das Obras de Fernando Pessoa. 1987 Publica Portugal, Razão e Mistério II. Publica A Filosofia Portuguesa, de Bruno à geração do 57. Seguido de O Brasil Mental revisitado. 1988 Organiza, elabora notas e introdução biográfica e crítica de Obras de Camilo Pessanha: Contos, crónicas, cartas escolhidas e textos de temática chinesa. Organiza a Obra Poética e em Prosa de Camilo Pessanha. Publica Fernando Pessoa: A obra e o homem. Vida, Personalidade e Génio (3.ª edição) seguido de Heteronímia e Alquimia ou do Espirito da Terra ao Espirito da Verdade. António Quadros integra a Comissão Organizadora da Feira das Indústrias da Cultura realizada entre 14 e 22 de Dezembro de 1988, da qual foi produzido um catálogo Oficial, Edição Especial FIL, 1988. 1988-1989 Participa e idealiza os 6 números, em 5 volumes, de Leonardo. Revista de Filosofia Portuguesa. 1989 Publica O Primeiro Modernismo Português. Vanguarda e Tradição. Publica A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos últimos Cem Anos seguido do apêndice O EPOS E O MYTHOS NA LITERATURA BRASILEIRA. Publica Mestre de Mestres ou Do magistério de Leonardo Coimbra ao magistério dos discípulos (separata). Escreve a introdução para A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá Carneiro. 1990 Publica Introdução à Estrutura do Universo Camiliano (separata). Publica Uma Frescura de Asas. Romance que dedica À Memória de Sampaio Bruno. Organiza e escreve a introdução e bibliografia actualizada para Obra Poética de Fernando Pessoa: Mensagem e outros poemas afins. À memória do Presidente-Rei Sidónio Pais. Quinto Império. Elegia na sombra. Sacadura Cabral. E, nesta edição, variantes de algumas poesias da “Mensagem”. Sob a égide da UNESCO, é nomeado Presidente da Comissão Nacional para o Ano Internacional da Alfabetização e representante do Ministério da Educação para a Década Mundial do Desenvolvimento Cultural. Assume o cargo de membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É-lhe atribuído o título de Académico efectivo da Academia Brasileira de Filosofia. 1991 Publica Antero: A Questa, A Odisseia, A Peregrinação do Poeta-filósofo e do Poeta-religioso (separata). Escreve Trovas para o Menino Imperador no Dia de Pentecostes para as comemorações do Espírito Santo na Serra da Arrábida, música de Maurícia Telles. Organiza e escreve a introdução, notas e bibliografia para Obra Poética Completa de Mário de Sá-Carneiro 1903 - 1916. Escreve a introdução e notas para Princípio e outros contos de Mário de Sá Carneiro. 1992 Publica Fernando Pessoa: A obra e o homem. Vida, Personalidade e Génio (4.ª edição) e uma biografia ”Autobiografia” seguido de Heteronímia e Alquimia ou do Espirito da Terra ao Espirito da Verdade. Publica Estruturas Simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa que, em Dezembro, três meses antes da sua morte, oferece à sua filha Mafalda “À sua querida filha Mafalda, pilar de força e de alegria da família, com muitos beijos do autor deste livro, quer dizer, o seu Pai”. Publica Memórias das Origens, Saudades do Futuro. Valores, mitos, arquétipos, ideias. Integra o grupo dos 24 fundadores do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, para cuja direcção é, depois, eleito vogal. Publica os dois volumes de Mário de Sá-Carneiro: Cartas Escolhidas. 1993 Publica Antero de Quental, do Poeta-Filósofo ao Poeta-Religioso. A gesta, a odisseia, a peregrinação (separata). Já gravemente doente, e consciente da proximidade do fim, toma decisões no intuito de garantir a continuidade do IADE e a segurança dos seus colaboradores. Nos últimos dias centra-se exclusivamente na família, dando-lhe lições de verdadeira dignidade no sofrimento. A doença afasta-o fisicamente da sua mãe com quem mantém até ao fim da vida uma sólida relação afectuosa e intelectual. António Quadros, morre no dia 21 de Março, dia da Poesia, da Árvore e do início da Primavera, com 69 anos, vítima de tumor cerebral. No dia 8 de Janeiro de 2009, a Presidência do Conselho de Ministros reconhece a Fundação António Quadros – Cultura e Pensamento, criada com o excepcional apoio da família e dos amigos de António Quadros.
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