Fundação António Quadros
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TESTEMUNHOS E CITACÕES

SOBRE ANTÓNIO QUADROS 

 

Guardo uma grata memória de António Quadros, homem movido por interesses espirituais, fiel às suas convicções, aberto ao diálogo, amigo do seu amigo…
Mário Soares, Março 1994

 

Um intelectual da mais pura água…

Pedro Santana Lopes, Março 1994

 

Um perfil desassombradamente livre e criador…

Pedro Lynce de Faria, Março 1994

 

Uma grande figura da Lisboa deste século.

João Soares, Março 1994

 

O rosto visível da filosofia portuguesa.

Pinharanda Gomes

 

… Viverá sempre no coração de quantos tiveram a fortuna de o conhecer…
David Mourão-Ferreira, Março 1994

 

Era um exemplo de camarada das letras, com uma abertura de espírito e de tolerância e sempre demonstrou grande empenhamento em tudo o que fazia.
David Mourão-Ferreira

 

Era um homem calado e ensimesmado. Tinha um natural jeito de ser simples no falar.

Beckert d’ Assumpção

 

Para António Quadros não havia acasos, tudo era significativo.
Antónia de Sousa, Diário de Notícias, 25/3/93

 

Ele procurou intensamente o lado dos mistérios e dos mitos.
Guilherme d’Oliveira Martins, Semanário, 27/3/93

 

Foi intransigente na defesa e valorização dos elementos essenciais da cultura portuguesa.
Artur Anselmo, Diário de Notícias, 25/3/93

 

A sua generosidade dissolvia toda e qualquer inimizade.
Pinharanda Gomes

 

Quadros era o mais dinamizador e o mais produtivo. Mas nunca teve a pretensão de ser chefe-de-fila. Foi sempre um missionário da cultura.
Afonso Botelho

 

Lutou sempre com pureza de coração, tolerante e aberta compreensão intelectual e aquela inocente e límpida sabedoria de quem, na fecunda maturidade, soube guardar, intacto, o segredo da infância.
António Braz Teixeira, Evocação, Maio de 1993

 

Vivendo e crescendo num ambiente cultural carregado de presenças brasileiras, natural seria que António Quadros tivesse começado muito novo pela literatura do outro lado do Atlântico, interesse de que dão claro testemunho os estudos sobre Ribeiro Couto, José Lins do Rego e Érico Veríssimo que figuram no seu volume de estreia Modernos de Ontem e de Hoje (1947), publicado quando era ainda aluno da Faculdade de Letras de Lisboa (p.7). António Braz Teixeira, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

António Quadros, além de ter sido um «Homem de Cultura», foi um grande pensador, um grande escritor, um grande filósofo e bom cristão. Ele foi mesmo um missionário do Santo Espírito. Tive o privilégio de o ter conhecido, de o ter ouvido, de com ele ter comungado na nossa «filosofia portuguesa», mas sobretudo tive a grande alegria de termos sido Amigos (p.17). 

Abel de Lacerda Botelho, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Parte do encanto de António Quadros está no seu contacto próximo com a nossa herança espiritual, fornecendo algumas sugestões em torno do conservadorismo, que é, certamente, uma rica fonte de reflexão sobre a ordem política (p.29). 

Alexandre Teixeira Mendes, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

A obra literária de António Quadros, além de abordar temáticas fortemente marcadas pelo Saudosismo, pela tradição portuguesa, pela mística sebastianista e pela Filosofia, encontra na preocupação estética uma das suas manifestações mais peculiares (p.43). 

Ana Margarida Chora, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

António Quadros, como Pessoa e Almada, na criação artística como na ensaística, opera por impressões e indecidibilidades: entre sujeito e colectividade, biografia e história, retrato e paisagem, hipótese, verdade e facto, mas também entre a tradição popular e a erudita, o património material e o imaterial (p. 56). 

Annabela Rita, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Em António Quadros, a poesia está implicada com o discurso ordenado no pensamento, o que remete para um carácter reflexivo-narrativo. É um modo discursivo que nos pode passar ao lado, pois a sua poesia é uma agradável novidade para quem a apreciar detidamente (p. 70). 

António José Borges, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Em seu entender [de Quadros] era chegado o tempo de juntar todos o intelectuais portugueses, congregar em torno do mesmo propósito, os que trabalhavam em prol e do seu engrandecimento que passava pela economia pela ciência, artes e letras, cultura e filosofia, pondo de lado credos religiosos ou posições políticas [...] (p. 87). 

Artur Manso, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

É com a introdução do elemento movimento que António Quadros supera sabiamente aquela dessintonia entre o espaço  bem físico  e o tempo. O movimento não se confunde com o espaço que foi percorrido. Todo o espaço que foi percorrido corresponde ao passado, é passado. Ora, o movimento não é passado, o movimento, além de ser o presente, corresponde, representa, é aquele que se vai futuramente percorrer (p. 106). 

César Tomé, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

António Quadros foi um homem de acção a quem a actualidade existencial, a situação e condição do homem, no tempo e no espaço, impunha o dever de agir, de intervir, de se expor e sobretudo de procurar conciliar o drama de cada um com o drama ou mesmo a tragédia geral. António Quadros encontrou no grupo da filosofia portuguesa, sobretudo em Álvaro Ribeiro, um estímulo e uma confiança que fizeram dele um autor destemido e determinado, não só na afirmação do seu pensamento e da sua visão histórica e filosófica, como também no compromisso da intervenção política (pp.113-114). 

João Luís Ferreira, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Quem conheceu António Quadros sabe bem a singularidade e a riqueza da sua atitude de um homem de verdadeiro diálogo, nunca encerrado sobre qualquer posição de superioridade ou de certeza. E se, para entendermos o pensamento, precisamos de conhecer os pensadores, a verdade é que o humanismo e a proximidade eram referências que o tornavam alguém para quem o acto de pensar tinha a ver com a necessidade de nos compreendermos e aproximar-nos mutuamente (p. 110). 

Guilherme d'Oliveira Martins, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

António Quadros foi um dos mais activos, cultos e fecundos intervenientes na vida cultural portuguesa na segunda metade do século passado, com a naturalidade de quem herdará as qualidades intelectuais e humanas do singular casal constituído por António Ferro e Fernanda de Castro. Como eles, pode dizer-se que o destino de Portugal, nos seus múltiplos e mais altos aspectos, foi a principal motivação do seu pensamento e acção, num contexto em que, tanto a nível interno como internacional, enfrentávamos, como continuamos a enfrentar, agora em termos agravados, decisivos desafios (p. 121). 

Joaquim Domingues, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Raros ousariam afirmar ser possível prever-se como e quando será o desfecho da presente crise planetária e humana. A Providência tem os seus caminhos e actua para além do tempo mesurável, imprevisivelmente. Mas os sinais estão à vista, assaz preocupantes para quem saiba lê-los.

Se a cada pátria cabe  seu próprio destino e missão, Portugal também tem traçadas as suas vias de razão e mistério. A este respeito, no plano superior em que se insere, a obra de António Quadros abre-nos uma janela de luminosa esperança (p. 134). 

Jorge Preto, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

António Quadros vai mais longe e, reconhecendo que uma parte da escrita pessoana ortónima «nos aparece de facto como profundamente ensimesmada, registo de uma desoladora solidão individual, documento tocante de uma sentimentalidade frustrada, projecção de uma incerteza angustiada, às vezes desesperada quanto à vida de relação e até à vida de pensamento», conclui que «a nota mais forte que conseguiu erguer e nos legou é dinâmica, interventora, frequentemente polémica e criacionista» (P. 154). 

José António Barreiros, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

No caso de António Quadros, a estética surge como «o movimento teorético para o futuro», ou seja, o trânsito da biosfera para a noosfera (na terminologia de Teilhard Chardin que o especulativo português evoca) e compreende a imaginação e a simbólica assentes numa relação indissociável sobre a qual orbitam os arquétipos do movimento humano enquanto representações psíquicas do transhumano (p. 156). 

José Carlos Pereira, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Para António Quadros seguir o labor mais ou menos histórico e filosófico de Cortesão é lembrar o confronto polémico com António Sérgio e as consequências de longa duração do redicionismo racionalista e positivista inadequado à descoberta essencial, quer da identidade, quer da idealidade, lusíadas (p. 167). 

José Esteves Pereira, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Existem neste grande vulto [António Quadros], várias facetas: o filósofo, o escritor, o humanista, o empreendedor, o pedagogo e, até, o gestor. Como analisar todos estes perfis? Difícil. Como Ser multifacetado, é necessário que a sua vida interdisciplinar, inserida em diversos contextos, tenha um entendimento, para que haja uma interpretação de toda a sua complexidade dentro da sua simplicidade (p. 169). 

Madalena Ferreira Jordão, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

É segundo o sentido de comodidade do género literário que podemos considerar, na sua [de António Quadros] qualificação, a literatura fantástica. É, aliás, esse o sentido que ecoa na escrita de António Quadros quando verifica que a designação de literatura fantástica é «tão cómoda como imprópria para exprimir uma pluralidade de conteúdos», uma classificação que provisoriamente aceita para poder falar dela (p. 175). 

Manuel Cândido Pimentel, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Reflectir sobre o pensamento de António Quadros em articulação com Delfim Santos é, sem dúvida, exibir o diálogo que entre ambos se instaurou, tendo como referência, a arte de filosofar que os unia. Nesse sentido, o texto de António Quadros que norteará a nossa reflexão é o seguinte: "Delfim Santos, a vida e a obra", de 1987. Neste seu texto, com efeito, o pensador em apreço evoca Delfim Santos como o seu primeiro mestre. Evoca-o considerando que o «encontro» com o filósofo foi decisivo (p. 183). 

Maria de Lourdes Sirgado, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024 Ganho

 

António Quadros, investigador das origens da cultura portuguesa, na sua obra magistral "Portugal, Razão e Mistério", integra na análise historiográfica um vasto conjunto de elementos, que caracterizam a «arqueologia da tradição portuguesa», inerentes ao «espírito do lugar» (geografia físico-humana) na relação intrínseca com o mito e a «poïesis» na génese de «ser» português (p. 186). 

Maurícia Teles da Silva, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Importa recordar que Quadros, ao contrário de [António] Telmo, não era um iniciado. Mas a iniciação parecia sobre ele exercer um fascínio que, não raro, o levava a colocar-se na posição de esoterista. Ao amigo, em carta de 29 de Janeiro de 1987, dirá: «Não tenho pois nenhuma vocação para esotérico, embora tenha uma grande inclinação para todas as formas de esoterismo, que não só constituem um desafio, como prometem um saber outro do que daqui, só daqui» (p.196). 

Pedro Martins, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

A sua [de Quadros] teorização do Quinto Império tem fortes ressonâncias joaquimitas, como, aliás, o próprio assume - daí, a título de exemplo, estas palavras: "... Portugal e Camões perdem a vida por um mundo, sempre de futuro e nunca de passado, um mundo em que finalmente se conciliassem, se unissem num só corpo de doutrina Aristóteles e Platão, em que o Ideal fosse, ao mesmo tempo, do mundo dos sentidos. [...]» (p. 202). 

Renato Epifânio, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Para António Quadros a experiência do absoluto em Dalila tem um carácter místico e esotérico, no sentido de um encontro miraculoso que viola as leis da condição histórico-natural humana e proporciona a visão plena de Deus, ou tem um carácter analógico e esotérico, no reconhecimento de que o próprio Jesus Cristo encarnado é símbolo de Deus Pai? (p. 207). 

Samuel Dimas, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

Torna-se claro que  o modernismo que António Quadros quer explorar e pensar é essencialmente um das vanguardas, às quais o autor também chama de "Os primeiros modernistas portugueses" especificamente um subgrupo daquela geração que intitulamos «geração orpheu». Nesta geração, o autor diferencia os saudosistas, ainda muito presos a estéticas anteriores, mas que eram «companheiros de viagem» e dos mesmos círculos e geração, mas também daqueles que eram verdadeiros inovadores (pp.223-224). 

Tomás Cunha, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024

 

António Quadros foi sem qualquer dúvida o principal construtor de si mesmo, mas importa referir de que forma as suas origens familiares mais próximas e as suas vivências iniciais influenciaram não só a sua Personalidade, como, também, a sua Obra e o seu Pensamento (p.228). 

Mafalda Ferro, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", Fundação Lusíada, 2024