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Newsletter N.º 233 / 14 de Julho de 2026 |
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Direcção Mafalda Ferro Edição Fundação António Quadros |
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ÍNDICE
01 — António Quadros: Autonomia Aberta e Convergente, por José Esteves Pereira
02 — António Quadros, por António Cândido Franco
03 — António Quadros: pedagogo, divulgador do livro e tantas coisas mais..., por António Coito
04 — António Quadros, o meu pai, por Mafalda Ferro
05 — Referências a António Quadros, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento", por vários autores
06 — Livraria António Quadros, Obra em Promoção até 14 de Agosto de 2026: "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento".
EDITORIAL
Prestamos hoje, e sempre, homenagem a António Quadros, no dia do seu aniversário, 14 de Julho, há 103 anos, através de textos, testemunhos e citações.
Para celebrar este dia, a RTP MEMÓRIA, passa o documentário «O escritor e a sociedade», episódio 5, dedicado a António Quadros. A não perder.
Referimos também a nossa newsletter que faz hoje 17 anos, num total de 233 números publicados, lembrando algumas das palavras com que iniciámos o n.º 1 e que, até hoje, se aplicam:
"Tencionamos por este meio, informar sobre a Fundação e suas actividades bem como homenagear aqueles que são a razão da sua existência, António Quadros, Fernanda de Castro e António Ferro. Tentaremos intervir de forma activa na cultura portuguesa com a mesma determinação que caracterizou estas três pessoas durante toda a sua vida. Determinação é a palavra chave que descreve a força com que esta família viveu, protagonizando de forma livre e incontestável, no palco das letras, das artes e da politica em Portugal. Cremos que a memória dessa postura humanista, nos pode ajudar a ser melhores homens, melhores mulheres."
Informamos que, durante a temporada de Verão, a Fundação António Quadros, com o apoio da Câmara Municipal de Rio Maior, apresentará duas exposições no espaço museológico da Biblioteca Municipal de Rio Maior / Fundação António Quadros (Rua Dr. Fernando Sequeira Aguiar, Rio Maior):
«Inês Guerreiro, artista modernista, clara e luminosa como a sua Alma» (21 Julho / 30 de Agosto)
Inês Guerreiro, nasceu em Setúbal, a 13 de Junho de 1915 e morreu no dia 14 Julho de 1998 em Lisboa, há 28 anos. Fernanda de Castro definiu a sua personalidade como «clara e luminosa como a sua alma».
A exposição reúne um conjunto inédito de trabalhos de sua autoria dos quais se destacam retratos, estudos, capas e ilustrações de livros, trabalhos gráficos, elementos humoristícos, cenários, figurinos, máscaras e outros elementos, pertencentes ao acervo da Fundação António Quadros, a Mafalda Ferro e, principalmente, à família da artista, dando a conhecer a sua obra e o seu percurso de vida em Portugal e no estrangeiro, bem como a sua relação de trabalho com Fernanda de Castro.
A cerimónia de inauguração acontecerá no dia 5 de Agosto de 2026, às 16h. Contamos consigo.
Entrada livre.
«Passeando na Praia...» (3 / 26 de Setembro de 2026)
Numa época não muito longínqua, era habitual encontrar nas praias portuguesas, junto às costas, conchas e búzios de inúmeros tamanhos, feitios e tonalidades com que as crianças construíam colares, tiaras e pulseiras ou castelos e outras figuras de areia. Hoje, tal já não acontece.
Decidimos, por isso, apresentar uma colecção única, pertencente à Fundação António Quadros, reunida em tempos idos por Fernanda de Castro durante os seus longos passeios pela praias algarvias.
Entrada livre.
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01 — António Quadros: Autonomia Aberta e Convergente,
por José Esteves Pereira
1.
Em Julho de 1990 vim a conhecer, pessoalmente, António Quadros e Afonso Botelho. Já lera algumas das suas obras mas foi, então, que passei a ter uma relação mais próxima no âmbito do projecto luso-brasileiro de filosofar que, então, ganhava renovado ensejo de reunir pensadores do Brasil e de Portugal.
António Quadros respondeu a essa chamada e esteve presente no Colóquio Tobias Barreto mas só no ano seguinte, comemorando Antero de Quental, em novo colóquio assistiria à sua magnífica intervenção em Recife, ao mesmo tempo reflexiva e afectiva, sobre os caminhos do Poeta-Filósofo micaelense na senda da questa, da odisseia e da peregrinação. Fizéramos juntos a longa viagem para o Brasil onde aliado à boa conversa o deixei a ler um livro, de fio a pavio, num exercício de imparável leitura que, pelos vistos, era comum segundo a Mafalda Ferro, recentemente, me informou.
Mas a razão deste depoimento por ocasião do aniversário da sua morte tem uma razão especial e, de algum modo, também pessoal.
Convidado pelo meu saudoso pensador e amigo espanhol José Luis Abellán (1933-2023) fui convidado, em princípios de 1992, para participar nas Primeiras Jornadas de Hispanismo Filosófico, em Madrid, entre 9 e 12 de Dezembro daquele ano relacionadas com o desafio europeu que então mobilizava o poder e a sociedade em vários países. Por impedimento relacionado com uma reunião urgente na Universidade Nova, de um júri de provas documentais de prosseguimento da carreira académica da saudosa amiga Ana Hatherly, não pude estar presente mas a minha comunicação acabou por ser lida pela M, B. S. na Complutense.
Muito interventivos ainda Aranguren, Truyol y Serra, Alvarez de Miranda, Garcia-Sabell entre outros, como o sociólogo francês Alain Touraine, acrescentei a minha voz, mais pequena, por certo, mas não menos convicta, ao debate inicial sobre o desafio europeu no âmbito das identidades culturais na mudança de século que coincidia também com o Tratado de Maastricht e a entrada em vigor, para breve, do Mercado Único Europeu na sequência do Acto Único de 1986.
2.
Ora é aqui que me é dado evocar, gostosa e saudosamente, António Quadros quando pedi para ser lida em Madrid a minha comunicação Portugal, Identidade, identidades, (El reto europeo. Identidades culturales en el cambio de siglo, coord. José Luis Abellán, Madrid, Ed. Trotta,1994, pp.77-84). Foi lida e publicada em português.
Não tenho aqui espaço para reproduzir a argumentação que então desenvolvi mas posso dizer que a obra do autor de A arte de continuar português através de um dos seus textos esteve muito presente. Entendi dever ser fiel, afinal, às suas palavras que para “a mesa das Comunidades” se deveria levar “não a postura mimética, complexada, passiva, vazia de ideias e de imaginação, de um parceiro menor mas a dinâmica de um parceiro adulto, que sabe quem é, de onde vem e para onde vai” para não acrescentar mais da significativa citação de António Quadros (A arte de continuar português Lisboa, Edições do Templo, 1978, p. 239).
A participação naquele fórum hispânico que não deixava de congregar as vozes galega de Garcia Sabell e catalã de Max Cahner, significou para mim meditar nas palavras de António Quadros que agora revisito:
“Foi já entre nós glosada a analogia com a situação ibérica das duas Espanhas, estudada por Fidelino de Figueiredo na obra injustamente esquecida, que leva o mesmo título. Mas nós diríamos que há hoje não dois mas três Portugais, ou três conceitos paradigmáticos de Portugal. Um é o Portugal do auto-desconhecimento, da auto-rejeição, ou da auto- indiferença, vivendo um complexo niilista que se reflecte no desejo inconsciente da dissolução em espaços “civilizados”, europeus, modernos, desenvolvidos. Mas há para A. Quadros um outro Portugal cujo ser histórico e psíquico se religa, como uma duração e um espaço dialéctico, a uma teoria providencialista e transcendentalista do devir humano, a par do terceiro Portugal mais afecto a uma “axiologia humanista, iluminista e racionalista”, de certo modo o Portugal sociológico. (A ideia de Portugal na literatura portuguesa dos últimos100 anos, Lisboa, Fundação Lusíada, 1989).
Que este muito breve depoimento, no aniversário do nascimento de António Quadros, na crescente multiculturalidade que nos vai envolvendo, não faça esquecer o sentido mais íntimo do que ele sempre entendeu como razão teleológica de ser de Portugal que possa incorporar ”a personalidade, a criatividade, a autonomia aberta e convergente”, ou seja, a essencial universalidade intracultural e intercultural que, verdadeiramente, nos identifica.
Fotografia: António Quadros, por Daniel Gouveia.
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02 — António Quadros,
por António Cândido Franco
Conheci António Quadros em 1986 ou 1987. Foi-me apresentado pelo Paulo Borges, meu amigo desde a adolescência lisbonina, no Liceu Gil Vicente. Nesse período publicou ele Portugal – Razão e Mistério, um livro que então li com interesse e fervor e me pareceu o primeiro – foi-o para mim – a tratar a História do ponto de vista da poesia, dando-lhe uma dimensão mítica que só nos surrealistas tivera expressão.
Convivi então com ele nos cursos livres que fazia questão de organizar no Palácio Quintela na Rua do Alecrim onde funcionava o Instituto de Arte e Decoração (IADE) e ainda à mesa dos vetustos restaurantes da Rua da Ementa e da Rua da Horta Seca onde o grupo jantava. Do círculo lembro com particular gratidão Henrique Barrilaro Ruas.
Apreciei sempre a capacidade de diálogo de António Quadros e o seu entendimento aberto das questões mais controversas. Pareceu-me um homem movido por um espírito não dogmático que tudo fazia por não esquecer a lição do princípio da incerteza que Pascoaes tanto teimara em ter por perto.
Já na época muitas das nossas posições – religiosas, políticas, sociais – estavam longe de coincidir mas isso nunca quebrou o elo fraterno de calor humano que entre nós se estabeleceu e que me tornam grata a recordação da sua memória.
Julho de 2026
Fotografia: António Quadros, por Daniel Gouveia. |
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03 — António Quadros: pedagogo, divulgador do livro e tantas coisas mais...,
por António Coito
Nenhum epíteto consegue albergar as várias dimensões do contributo sui generis de António Quadros para a cultura e o pensamento portugueses do século XX. No Jornal Expresso, aquando da sua morte, a escritora e jornalista Inês Pedrosa destacava a “sábia coragem de (alguém que) nunca renegou uma gota que fosse do seu sangue e defendeu o país do peso obscurantista de todas as ditaduras; compreendeu-o e amou-o para lá das aparências toscas do salazarismo, ou dos vernizes fáceis da democracia de sucesso”. Para assinalar os 33 anos da partida de António Quadros, sugere-se um pequeno excurso por alguns projetos marcantes relacionados com o exercício de pensar sobre a infância e a juventude, a educação e a leitura.
A preocupação de António Quadros com os livros é precoce. Nos anos 40, assume responsabilidades de divulgador das bibliotecas e da acção cultural das casas do povo enquanto assistente cultural da Junta Central das Casas do Povo e, em 1953, participa, com António Manuel Couto Viana e outros intelectuais, na Campanha Nacional de Educação de Adultos, desenvolvida por Henrique Veiga de Macedo, Subsecretário de Estado da Educação Nacional, cujos pormenores ainda estão por investigar e que muito interesse terão para a compreensão da sua curiosidade, ainda jovem, pelas questões da alfabetização, numa altura em que se considerava necessário e urgente “caminhar decididamente no sentido da extinção do analfabetismo e da educação do povo” (1953, p. 5), através de jornais, folhetos, livros, exposições, rádio, filmes e teatro educativo, no campo do ensino primário das crianças e do ensino primário dos adultos.
No programa radiofónico Perfil dum Artista (1958), fica evidente o olhar atento e crítico relativamente ao sistema educativo, numa entrevista a Francisco Igrejas Caeiro, na qual António Quadros afirmou que “o aluno chega à universidade sem conhecer os problemas da Vida e do Homem. Chega à universidade com uma série de conhecimentos colectivos, mas, provavelmente, nunca pensou sobre a Vida. Depois, termina um curso e desempenha uma profissão. Um curso intermédio de Filosofia seria fundamental para o jovem exercitar o seu espírito.” Curiosamente, quase 70 anos depois, muitas reformas educativas já aconteceram, pese embora a centralidade continue muito direccionada para a eficiência da realidade exterior, para a numerificação do aluno e tão-pouco para o seu desenvolvimento interior. No mesmo ano, por sugestão de Branquinho da Fonseca, foi convidado para integrar os quadros do recém-criado Serviço das Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian (SBI), desempenhando a função inicial de Presidente da Comissão de Escolha de Livros, trabalhando directamente com Almeida Langhans, Domingos Monteiro e Orlando Vitorino, alguns dos recenseadores especializados desta estrutura. No texto Breve justificação das bibliotecas itinerantes e algumas informações acerca do seu funcionamento, Branquinho da Fonseca dava conta do principal papel desta comissão, uma vez que os livros das bibliotecas seriam “escolhidos por uma Comissão de pessoas cultas e de perfeita idoneidade Moral”.
Antes de mais, importa destacar, a propósito da participação nesta Comissão, as várias fichas de leitura encontradas no acervo da Fundação António Quadros. Entre elas, encontra-se a apreciação da peça de teatro O Render dos Heróis, de José Cardoso Pires, datada de 1 de Fevereiro de 1961, na qual a obra é classificada como de “acessibilidade fácil”, para “maiores de 18 anos”, sendo considerada por António Quadros “aceitável, com muitas reservas”, por ser uma peça “sem interesse literário que, focada no ambiente das guerras liberais e no episódio de Maria da Fonte, pretende ridicularizar por igual as duas facções”. Do mesmo autor, conserva-se igualmente a ficha de leitura sobre O Anjo Ancorado, datada de 25 de Março de 1965, descrita como uma “novela em estilo de fábula”, recomendável para todos os meios, procurando “estabelecer um contraste de tipo dialéctico entre a classe burguesa, alienada de preocupações sociais e ocupada em assuntos fúteis, e a classe popular ou proletária, vitalmente empenhada na conquista de elementares condições económicas”.
Em 1969, funda o IADE, um ambicioso projecto de ensino artístico em Portugal, onde lecciona as unidades curriculares de História de Arte e de Cultura Portuguesa, ininterruptamente até 1992. Com a demissão de Lima de Feitas das funções de Director do IADE, em 1972, António Quadros deixa a direcção-adjunta das Bibliotecas Itinerantes, ficando como Inspector-Geral e vogal da Comissão de Leituras. Movido por um profundo interesse pela pedagogia, publica O Sentido Educativo do Maravilhoso (1972) e A Aventura e o Mundo Juvenil e os seus Aspectos Educativos (1973), com apoio editorial da Direcção-Geral da Educação Permanente. Após o falecimento de Branquinho da Fonseca, em Maio de 1974, foi nomeado para exercer interinamente o cargo de Director das Bibliotecas Itinerantes até à nomeação de Domingos Monteiro, regressando ao cargo de Inspector-Geral (Oliveira, 2024, p. 112). No decorrer das iniciativas do Ano Internacional da Criança, declarado pelas Nações Unidas em 1979 para celebrar o 20.º aniversário da Declaração dos Direitos da Criança, um grupo de escritores, nomeadamente, Isabel da Nóbrega, Natércia Rocha, Alice Gomes, Patrícia Joyce e Adolfo Simões Müller, chamou a atenção de António Quadros para a pouca importância concedida, no país, aos escritores e à literatura pensada para a faixa etária específica das crianças, defendendo a urgência de reverter a situação (Borges, 2024, p. 24).
Depois da morte de Domingos Monteiro, em 1980, António Quadros assumiu o cargo de Director das Bibliotecas Itinerantes, apoiando e impulsionando a realização do I Encontro sobre Literatura Infantil, entre os dias 13 e 15 de Maio, assim como a dinamização do Grande Prémio Gulbenkian da Literatura Infantil, atribuído ex-aequo a Matilde Rosa Araújo e Ricardo Alberty, enquanto o prémio para o Melhor Texto de Literatura para Crianças publicado em 1978/1979 coube a António Torrado, com a obra Como se faz cor de laranja. O júri composto por Natércia Rocha, Maria Alberta Menéres e José Hermano Saraiva determinou, ainda, a atribuição do prémio para o Melhor Conjunto de Ilustrações de um Livro para Crianças a João Machado (O Fidalgo de Pernas Curtas, de Ilse Losa) e prémio revelação para o Melhor Inédito de Autor Estreante a Carlos Correia, com o livro A Locomotiva Tchaaf. As distinções foram entregues pelo Presidente do Conselho de Administração da Gulbenkian, Dr. Azeredo Perdigão. No fim de um evento inédito, marcado por partilhas de âmbito nacional e internacional, depois de proferir a comunicação “A literatura infantil no tempo de Jaime Cortesão", António Quadros sublinhou, ao Diário de Lisboa, o êxito da iniciativa, que nasceu do esforço individual de algumas pessoas que “não pertenciam nem a nenhum Ministério, nem à Gulbenkian”, e mostrou-se confiante em realizações futuras que, “certamente, não deixarão de aparecer”. A verdade é que se realizaram mais 17 encontros, com periodicidade anual até 1990 e em formato bienal até ao último realizado, em 2008, quando a designação já tinha sido alterada para Encontros de Literatura para Crianças.
Na década de 80, após a sua reforma da F. Gulbenkian em 1981, continua a sua actividade investigativa, leccionando seminários na Universidade Gama Filho, Deontologia da Comunicação na Universidade Católica Portuguesa (UCP) e as disciplinas no IADE, assim como proferiu dezenas de comunicações em instituições de ensino superior, especialmente de temática pessoana e/ou filosófica. Pertenceu, também, à organização dos Cursos de Verão para estudantes Luso-Americanos da UCP. Em 1988, os Estados-Membros recebem uma carta circular da UNESCO, sendo solicitados a apresentar sugestões sobre a preparação e celebração do Ano Internacional da Alfabetização, em que se manifesta o desejo de que seja criada uma Comissão Nacional para o efeito. António Quadros é nomeado, um ano depois, Presidente da Comissão Nacional e representante do Ministério da Educação para a Década Mundial do Desenvolvimento Cultural.
No seu curto mandato, marcou presença em eventos institucionais, celebrando protocolos de cooperação na República Popular de Moçambique para o estabelecimento de um fundo bibliográfico de língua portuguesa e na República de Cabo Verde para a recuperação da cidade velha de Cabo Verde. No exercício do cargo, reuniu-se com os Ministros da Educação de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Portugal e o representante do Ministro da Educação de Moçambique, em Lisboa, para um acordo escrito que consagrava a Educação como grande instrumento de desenvolvimento e de aproximação entre povos e culturas. No dia 20 de Março de 1990, António Quadros, Artur Pereira e Alberto da Silva Melo deixam, a pedido, de exercer as funções para que foram nomeados, sendo substituídos por António de Castro Vaz Pinto, Horácio André Antunes e Maria da Luz Cury. Em 1991, participou no processo de preparação de novos programas escolares do Ensino Básico do 2.º Ciclo, da disciplina de Língua Portuguesa, na selecção de obras recomendadas e de leitura obrigatória.
Hoje, em qualquer biblioteca, encontramos um pouco de António Quadros, quer através da sua produção literária e ensaística, quer das inúmeras traduções, dos volumes que organizou e prefaciou para a Europa-América, das obras da Biblioteca Breve do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, de que foi co-director, ou ainda das suas contribuições para as revistas Acto (n.os 1 e 2, 1951-1952), 57 — Folha Independente de Cultura (n.os 1-11, 1957-1962) e Espiral — Cadernos de Cultura (n.os 1-13, 1964-1966), que fundou e dirigiu, sozinho ou em parceria. Permanecerá sempre entre nós a voz de quem nos exorta a “cultivar a leitura, cultivar todas as formas de fuga ao quotidiano, se quisermos ser verdadeiramente livres”, porque “pelo reino da técnica jamais seremos capazes de quebrar as grades da prisão” (Quadros, 1953).
Fotografias:
01 - António Quadros. Lisboa, IADE, Palácio Barão de Quintela e Conde de Farrobo, [s.d.]. Autoria: IADE. [FAQ-06-18437]
02 - Reunião de trabalho efectuada nos primeiros tempos do Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian: Tomás Kim (Joaquim Fernandes Tomaz Monteiro-Grillo), Domingos Monteiro, Branquinho da Fonseca, António Quadros, Alexandre O'Neill. Lisboa, [1959]. [FAQ/06/05822]
03 - António Quadros lendo um livro sobre Proust. Lisboa, IADE, Palácio Barão de Quintela e Conde de Farrobo, [s.d.]. Autoria: IADE. [FAQ/06/18417]
04 - António Quadros com Manuela Azeredo Perdigão durante o I Encontro de Literatura Infantil, por si organizado na Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, Maio de 1980. [FAQ/06/05827]
05 - António Quadros com o casal Azeredo Perdigão, durante o I Encontro de Literatura Infantil, por si organizado na Fundação Calouste Gulbenkian. Dentro de uma carrinha das Bibliotecas Itinerantes da Fundação. Lisboa, Maio de 1980. [FAQ/06/05828]
06 - António Quadros profere a palestra «A literatura infantil no tempo de Jaime Cortesão» durante o I Encontro de Literatura Infantil, por si organizado na Fundação Calouste Gulbenkian. Na mesma Mesa: Adolfo Simões Muller, Patrícia Joyce, Natércia Rocha e outros não identificados. Lisboa, Maio de 1980. [FAQ/06/05824]
Bibliografia consultada
Borges, Maria Helena Melim (2024). “Uma nova forma de encarar os livros para crianças” em Alice Vieira — Não Vale a Pena Explicar Tudo, de Andreia Brites. Lisboa: Pato Lógico, pp. 24-29.
Campanha Nacional de Educação de Adultos (1953). O que é o Plano de Educação Popular. Lisboa: Comp. Nacional Editora.
Diário de Lisboa, 16.05.1980, “I Encontro sobre Literatura Infantil terminou com entrega de prémios”, p. 8.
Ferro, Mafalda & Ferro, Rita (1999). Retrato de uma Família – Fernanda de Castro, António Ferro, António Quadros. Lisboa: Círculo de Leitores. [e consulta de versão de um texto revisto e aumentado em www.fundacaoantonioquadros.pt ]
Manso, Artur (2024). “António Quadros: do Acto à Espiral” em António Quadros nos 100 anos do seu nascimento (org. António Braz Teixeira e Renato Epifânio). Lisboa: Fundação Lusíada.
Melo, Daniel (2005). As Bibliotecas da Fundação Gulbenkian e a leitura pública em Portugal (1957-1987) em Análise Social, vol. 40, n.º 174, pp. 65-86.
Oliveira, Guilherme d’Oliveira (2024). “António Quadros e a Fundação Calouste Gulbenkian” em António Quadros nos 100 anos do seu nascimento (org. António Braz Teixeira e Renato Epifânio). Lisboa: Fundação Lusíada.
Pedrosa, Inês (1993). “Memória de um homem sem aspas” em Expresso, 27.03.1993.
Quadros, António (1953). “O Prazer e O Lazer da Leitura” na Revista Bem Viver - Recreio, 7. |
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04 — António Quadros, o meu pai,
por Mafalda Ferro
As primeiras recordações que guardo do meu pai, António Quadros, entrelaçam-se na memória com a sua relação com os meus filhos, num prolongamento de ternura que ultrapassa o tempo e o espaço. No fundo, as brincadeiras que tinha connosco, não envelheciam nem se modificavam com a mudança de geração.
Havia nele, sempre houve, uma criança que nunca cresceu, uma criança quese divertia com as mesmas brincadeiras que nós. Com as nossas asneiras infantis, havia uma complacência que não lhe permitia que se zangasse connosco.
Com o passar dos anos, tentou ser também um mestre, falava-me de música, sugeria-me leituras...
Conseguia, como ninguém, abstrair do muito, e era mesmo muito, que se passava à sua volta, fosse a voz da minha mãe, o barulho das nossas brigas de irmãos, o ruído dos brinquedos, a campainha do telefone e até da empregada que, enviada pela minha mãe, o avisava de que íamos para a mesa: Nada ouvia, profundamente embrenhado no que vivia dentro de si próprio.
Quando crescemos, passou a ser um pouco mais severo. Não nos desculpava se mentíssemos, estragássemos livros de propósito ou fôssemos maus com alguém. Se chegássemos depois da hora combinada, à noite, nem dava por isso e nunca se lembrava dos castigos que prometia.
Esquecia-se de nós em vários locais e chegávamos sempre atrasados quando nos levava à escola.
O seu carro, o seu colo, as suas histórias, eram mundos fantásticos onde havia castelos e princesas, pirilampos e coelhinhos e, também, outras crianças que, à noite na cama, de olhos fechados, conseguíamos ver.
Se não o interrompêssemos, estava horas a fio, em silêncio, sentado, sem olhar, a pensar. Por vezes, em movimento, esquecia-se de andar.
Escrevia muito, sempre ao som de Mozart, Brahms, Beethoven e muitos mais, num universo próprio feito de espíritos, palavras e imagens, onde não entrava mais ninguém, deixando-nos um pouco órfãos, então.
Era assim o meu pai.
Fotografia: António Quadros com os cinco netos mais velhos, por Mafalda Ferro. |
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05 — Referências a António Quadros, em "António Quadros nos 100 anos do seu nascimento (1)",
por vários autores
Em homenagem a António a António Quadros, servimo-nos da última obra que a Fundação Lusíada sobre ele publicou, para referir algumas palavras dos autores que nessa obra publicaram. Estas referências pretendem também constituir, para o leitor, um amuse-bouche, como diriam os franceses.
Vivendo e crescendo num ambiente cultural carregado de presenças brasileiras, natural seria que António Quadros tivesse começado muito novo pela literatura do outro lado do Atlântico, interesse de que dão claro testemunho os estudos sobre Ribeiro Couto, José Lins do Rego e Érico Veríssimo que figuram no seu volume de estreia Modernos de Ontem e de Hoje (1947), publicado quando era ainda aluno da Faculdade de Letras de Lisboa (p.7). António Braz Teixeira
António Quadros, além de ter sido um «Homem de Cultura», foi um grande pensador, um grande escritor, um grande filósofo e bom cristão. Ele foi mesmo um missionário do Santo Espírito. Tive o privilégio de o ter conhecido, de o ter ouvido, de com ele ter comungado na nossa «filosofia portuguesa», mas sobretudo tive a grande alegria de termos sido Amigos (p.17). Abel de Lacerda Botelho
Parte do encanto de António Quadros está no seu contacto próximo com a nossa herança espiritual, fornecendo algumas sugestões em torno do conservadorismo, que é, certamente, uma rica fonte de reflexão sobre a ordem política (p.29). Alexandre Teixeira Mendes
A obra literária de António Quadros, além de abordar temáticas fortemente marcadas pelo Saudosismo, pela tradição portuguesa, pela mística sebastianista e pela Filosofia, encontra na preocupação estética uma das suas manifestações mais peculiares (p.43). Ana Margarida Chora
António Quadros, como Pessoa e Almada, na criação artística como na ensaística, opera por impressões e indecidibilidades: entre sujeito e colectividade, biografia e história, retrato e paisagem, hipótese, verdade e facto, mas também entre a tradição popular e a erudita, o património material e o imaterial (p. 56). Annabela Rita
Em António Quadros, a poesia está implicada com o discurso ordenado no pensamento, o que remete para um carácter reflexivo-narrativo. É um modo discursivo que nos pode passar ao lado, pois a sua poesia é uma agradável novidade para quem a apreciar detidamente (p. 70). António José Borges
Em seu entender [de Quadros] era chegado o tempo de juntar todos o intelectuais portugueses, congregar em torno do mesmo propósito, os que trabalhavam em prol e do seu engrandecimento que passava pela economia pela ciência, artes e letras, cultura e filosofia, pondo de lado credos religiosos ou posições políticas [...] (p. 87). Artur Manso
É com a introdução do elemento movimento que António Quadros supera sabiamente aquela dessintonia entre o espaço — bem físico — e o tempo. O movimento não se confunde com o espaço que foi percorrido. Todo o espaço que foi percorrido corresponde ao passado, é passado. Ora, o movimento não é passado, o movimento, além de ser o presente, corresponde, representa, é aquele que se vai futuramente percorrer (p. 106). César Tomé
António Quadros foi um homem de acção a quem a actualidade existencial, a situação e condição do homem, no tempo e no espaço, impunha o dever de agir, de intervir, de se expor e sobretudo de procurar conciliar o drama de cada um com o drama ou mesmo a tragédia geral. António Quadros encontrou no grupo da filosofia portuguesa, sobretudo em Álvaro Ribeiro, um estímulo e uma confiança que fizeram dele um autor destemido e determinado, não só na afirmação do seu pensamento e da sua visão histórica e filosófica, como também no compromisso da intervenção política (pp.113-114). João Luís Ferreira
Quem conheceu António Quadros sabe bem a singularidade e a riqueza da sua atitude — de um homem de verdadeiro diálogo, nunca encerrado sobre qualquer posição de superioridade ou de certeza. E se, para entendermos o pensamento, precisamos de conhecer os pensadores, a verdade é que o humanismo e a proximidade eram referências que o tornavam alguém para quem o acto de pensar tinha a ver com a necessidade de nos compreendermos e aproximar-nos mutuamente (p. 110). Guilherme d'Oliveira Martins
António Quadros foi um dos mais activos, cultos e fecundos intervenientes na vida cultural portuguesa na segunda metade do século passado, com a naturalidade de quem herdará as qualidades intelectuais e humanas do singular casal constituído por António Ferro e Fernanda de Castro. Como eles, pode dizer-se que o destino de Portugal, nos seus múltiplos e mais altos aspectos, foi a principal motivação do seu pensamento e acção, num contexto em que, tanto a nível interno como internacional, enfrentávamos, como continuamos a enfrentar, agora em termos agravados, decisivos desafios (p. 121). Joaquim Domingues
Raros ousariam afirmar ser possível prever-se como e quando será o desfecho da presente crise planetária e humana. A Providência tem os seus caminhos e actua para além do tempo mesurável, imprevisivelmente. Mas os sinais estão à vista, assaz preocupantes para quem saiba lê-los.
Se a cada pátria cabe seu próprio destino e missão, Portugal também tem traçadas as suas vias de razão e mistério. A este respeito, no plano superior em que se insere, a obra de António Quadros abre-nos uma janela de luminosa esperança (p. 134). Jorge Preto
António Quadros vai mais longe e, reconhecendo que uma parte da escrita pessoana ortónima «nos aparece de facto como profundamente ensimesmada, registo de uma desoladora solidão individual, documento tocante de uma sentimentalidade frustrada, projecção de uma incerteza angustiada, às vezes desesperada quanto à vida de relação e até à vida de pensamento», conclui que «a nota mais forte que conseguiu erguer e nos legou é dinâmica, interventora, frequentemente polémica e criacionista» (P. 154). José António Barreiros
No caso de António Quadros, a estética surge como «o movimento teorético para o futuro», ou seja, o trânsito da biosfera para a noosfera (na terminologia de Teilhard Chardin que o especulativo português evoca) e compreende a imaginação e a simbólica assentes numa relação indissociável sobre a qual orbitam os arquétipos do movimento humano enquanto representações psíquicas do transhumano (p. 156). José Carlos Pereira
Para António Quadros seguir o labor mais ou menos histórico e filosófico de Cortesão é lembrar o confronto polémico com António Sérgio e as consequências de longa duração do redicionismo racionalista e positivista inadequado à descoberta essencial, quer da identidade, quer da idealidade, lusíadas (p. 167). José Esteves Pereira
Existem neste grande vulto [António Quadros], várias facetas: o filósofo, o escritor, o humanista, o empreendedor, o pedagogo e, até, o gestor. Como analisar todos estes perfis? Difícil. Como Ser multifacetado, é necessário que a sua vida interdisciplinar, inserida em diversos contextos, tenha um entendimento, para que haja uma interpretação de toda a sua complexidade dentro da sua simplicidade (p. 169). Madalena Ferreira Jordão
É segundo o sentido de comodidade do género literário que podemos considerar, na sua [de António Quadros] qualificação, a literatura fantástica. É, aliás, esse o sentido que ecoa na escrita de António Quadros quando verifica que a designação de literatura fantástica é «tão cómoda como imprópria para exprimir uma pluralidade de conteúdos», uma classificação que provisoriamente aceita para poder falar dela (p. 175). Manuel Cândido Pimentel
Reflectir sobre o pensamento de António Quadros em articulação com Delfim Santos é, sem dúvida, exibir o diálogo que entre ambos se instaurou, tendo como referência, a arte de filosofar que os unia. Nesse sentido, o texto de António Quadros que norteará a nossa reflexão é o seguinte: "Delfim Santos, a vida e a obra", de 1987. Neste seu texto, com efeito, o pensador em apreço evoca Delfim Santos como o seu primeiro mestre. Evoca-o considerando que o «encontro» com o filósofo foi decisivo (p. 183). Maria de Lourdes Sirgado Ganho
António Quadros, investigador das origens da cultura portuguesa, na sua obra magistral "Portugal, Razão e Mistério", integra na análise historiográfica um vasto conjunto de elementos, que caracterizam a «arqueologia da tradição portuguesa», inerentes ao «espírito do lugar» (geografia físico-humana) na relação intrínseca com o mito e a «poïesis» na génese de «ser» português (p. 186). Maurícia Teles da Silva
Importa recordar que Quadros, ao contrário de [António] Telmo, não era um iniciado. Mas a iniciação parecia sobre ele exercer um fascínio que, não raro, o levava a colocar-se na posição de esoterista. Ao amigo, em carta de 29 de Janeiro de 1987, dirá: «Não tenho pois nenhuma vocação para esotérico, embora tenha uma grande inclinação para todas as formas de esoterismo, que não só constituem um desafio, como prometem um saber outro do que daqui, só daqui» (p.196). Pedro Martins
A sua [de Quadros] teorização do Quinto Império tem fortes ressonâncias joaquimitas, como, aliás, o próprio assume - daí, a título de exemplo, estas palavras: "... Portugal e Camões perdem a vida por um mundo, sempre de futuro e nunca de passado, um mundo em que finalmente se conciliassem, se unissem num só corpo de doutrina Aristóteles e Platão, em que o Ideal fosse, ao mesmo tempo, do mundo dos sentidos. [...]» (p. 202). Renato Epifânio
Para António Quadros a experiência do absoluto em Dalila tem um carácter místico e esotérico, no sentido de um encontro miraculoso que viola as leis da condição histórico-natural humana e proporciona a visão plena de Deus, ou tem um carácter analógico e esotérico, no reconhecimento de que o próprio Jesus Cristo encarnado é símbolo de Deus Pai? (p. 207). Samuel Dimas
Torna-se claro que o modernismo que António Quadros quer explorar e pensar é essencialmente um das vanguardas, às quais o autor também chama de "Os primeiros modernistas portugueses" especificamente um subgrupo daquela geração que intitulamos «geração orpheu». Nesta geração, o autor diferencia os saudosistas, ainda muito presos a estéticas anteriores, mas que eram «companheiros de viagem» e dos mesmos círculos e geração, mas também daqueles que eram verdadeiros inovadores (pp.223-224). Tomás Cunha
António Quadros foi sem qualquer dúvida o principal construtor de si mesmo, mas importa referir de que forma as suas origens familiares mais próximas e as suas vivências iniciais influenciaram não só a sua Personalidade, como, também, a sua Obra e o seu Pensamento (p.228). Mafalda Ferro
Fotografia: António Quadros, por Daniel Gouveia.
1 - Lisboa: Fundação Lusíada, 2024
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08 — Livraria António Quadros
Obra em Promoção até 14 de Agosto de 2026
Coordenação: António Braz Teixeira e Renato Epifânio.
Título: António Quadros nos 100 anos do seu nascimento.
Textos: Abel de Lacerda Botelho, Alexandre Teixeira Mendes, Ana Margarida Chora, Annabela Rita, António Braz Teixeira, António José Borges, Artur Manso, César Tomé, Guilherme d'Oliveira Martins, João Luís Ferreira, Joaquim Domingues, Jorge Preto, José Almeida, José António Barreiros, José Carlos Pereira, José Esteves Pereira, Madalena Ferreira Jordão, Mafalda Ferro, Manuel Cândido Pimentel, Maria de Lourdes Sirgado Ganho, Maurícia Teles da Silva, Pedro Martins, Renato Epifânio, Samuel Dimas, Tomás Cunha.
Âmbito: Comunicações apresentadas em Lisboa e em Rio Maior durante o Congresso em homenagem a António Quadros, Julho de 2023.
Idioma: Português.
Capa: António Pedro.
Edição — Lisboa: Fundação Lusíada, 2024.
Colecção: «Lusíada», n.º 42.
Encomendas: geral.faq@gmail.com
PVP: 10,00 (até 14 de Agosto) |
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